2 de fev de 2009

O Tesouro de Nimrud



Fotos Noreen Feeney, Iraq Museum International


O tesouro, que possui mais de 2.800 de história( datando entre os séculos VIII e XIV aC), foi encontrado em tumbas perto do antigo harém do palácio assírio da antiga cidade de Kalhu, mais tarde chamada Nimrud, às margens do rio Tigre, norte do Iraque. O sítio arqueológico encontra-se perto da atual cidade iraquiana de Mossul e é, praticamente, o único tesouro assírio jamais encontrado com peças intactas, já que a quase totalidade das jóias assírias foi derretida ou roubada ao longo dos séculos.

Antes do tesouro ser encontrado, a única maneira de se ter uma idéia de como seria a joalheria assíria era através das representações em relevo encontradas em antigas edificações assírias. O tesouro consiste de 613 peças em ouro e prata dentre as quais estão coroas, elmos, diademas, brincos, colares, amuletos, anéis, além de vasilhames feitos em cristal-de-rocha finamente lapidados, e outros feitos em ouro.
Várias jóias ainda possuem as gemas empregadas na sua decoração.

O tesouro, descoberto em 1988 pelo arqueologista iraquiano Muzahim Mahmud e sua equipe, demorou dois anos para ser totalmente desvendado e faz parte do sítio arqueológico de Nínive, que contém 750 hectares e é considerado o maior do Oriente. O sítio arqueológico foi escavado a primeira vez em 1845 pelo arqueólogo britânico Henry Austen Layard, trabalho que durou até 1851 e revelou ao mundo esculturas (algumas colossais), baixos relevos e diversos objetos e esculturas em mármore. Vários objetos e esculturas foram levados para o Museu Britânico de Londres, onde estão até hoje.

Dentre as tumbas encontradas por Mahmud e sua equipe está a de Lullissu, rainha de Assurbanipal II, constructor do palácio. Em uma outra tumba, também de uma rainha, está a inscrição que ameaça a quem profanar as tumbas: "que seu espírito vague sedento". Em somente uma das tumbas foram encontrados aproximadamente 22,50 quilos de ouro e prata em peças diversas.

Anos trás, quando o governante de então do Iraque Saddam Hussein invadiu o vizinho Kuwait em agosto de 1990, teve como resposta quase imediata o envolvimento dos Estados Unidos da América no conflito. O tesouro foi então escondido no mais secreto e seguro cofre nos porões do Banco Central iraquiano, mas durante o conflito foi inundado devido ao rompimento de canos de esgoto causado pela destruição de parte do prédio do banco feita por um míssil norte-americano.

Em 2003 o Iraque foi invadido e ocupado pelo exército dos EUA. Dizem especialistas que milhares de objetos foram roubados durante o processo de ocupação, e estão até hoje desaparecidos. Era grande a preocupação sobre o paradeiro do tesouro mas, pouco tempo depois do estabelecimento das forças de ocupação americanas no Iraque, arqueólogos iraquianos e funcionários do Museu de Bagdá, assistidos por representantes da revista National Geographic e por membros do governo e do exército dos EUA, retiraram dois milhões de litros de água do cofre e encontraram as peças do tesouro dentro de várias caixas de metal fechadas com cadeados. A água infiltrou-se em algumas caixas, mas nada que tenha deteriorado efetivamente o conteúdo das mesmas.

Ao serem abertas, revelaram as magníficas peças do tesouro da realeza assíria. Retiradas, as peças foram devidamente limpas e voltaram a integrar o acervo em exposição do Museu de Bagdá, pertencente ao povo iraquiano.

O tesouro de Nimrud é comparado em esplendor ao do faraó Tutankamon.