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21 de jul. de 2011
A Idade do Ouro da Ourivesaria Celta Na Irlanda
Entre os séculos VII e IX d.C. a arte da ourivesaria praticada pelos celtas na Irlanda atingiu seu apogeu. Durante este período, os celtas elevaram o estilo La Tène (Cultura da Idade do Ferro européia, cujo nome se deve ao sítio arqueológico de La Tène, situado às margens do lago Neuchâtel, Suíça, onde uma grande quantidade de objetos e joias em metais preciosos foi descoberta em 1857) a um novo patamar. Deve-se isso, em grande parte, a um fluxo migratório de ourives e artesãos estrangeiros que introduziu novas técnicas e temas, criando um fértil e potente mix de idéias e novos designs. Assim, alguns dos mais preciosos exemplos de joias celtas foram confeccionados em terras irlandesas. Mesmo com influência estrangeira, as joias celtas irlandesas mantiveram as tradições culturais, já que os ourives e artesãos selecionaram e moldaram, ao gosto local, as idéias importadas.
A peça de joalheria que mais traduziu a capacidade dos ourives e artesãos celtas da Irlanda foi, definitivamente, o broche. Semicirculares (o broche celta, já usado desde o século V d.C., era composto de um pino longo preso por sua cabeça a uma estrutura semelhante ao anel (penannular, que significa “quase anel”), sendo que o pino podia mover-se livremente ao redor do mesmo, já que a estrutura, na verdade, não era fechada, existindo uma lacuna entre os terminais de largura suficiente para o pino poder passar), eram peças extremamente funcionais, pois usavam um mecanismo simples e eficiente para a fixação das indumentárias usadas à época.
Broche Londesborough
foto Museu Britânico
Durante os séculos da Idade do Ouro da ourivesaria celta na Irlanda, os broches tornaram-se extremamente intricados no seu design e ricos na sua decoração, com gemas e técnicas como a gravação em metal, o niello, a esmaltação champlevé e a filigrana, formando peças de incrível beleza. Os broches Roscrea, Tara, Cashel e Londesborough são exemplos magníficos da arte da ourivesaria celta da Irlanda.
18 de fev. de 2011
O Tesouro de Hochdorf
Fotos: Museu Celta de Hochdorf
Em 1977, um arqueólogo amador descobriu na Alemanha, perto da localidade de Hochdorf an der Enz, Baden- Württemberg, uma tumba celta do século 530 AC ricamente guarnecida, localizada em um sítio arqueológico de aproximadamente 60 metros de diâmetro. Logo, a tumba passou aos cuidados do arqueólogo Dirk Krausse e sua equipe, que se referiu à descoberta como um marco da arqueologia e do estudo da cultura celta. O local onde a tumba foi encontrada é chamado de “Oppidum”, palavra em latim para vila ou burgo e originalmente tinha 6 metros de altura, com a forma de uma colina.
Usando uma nova técnica de escavação, os arqueólogos foram capazes de retirar toda a câmara fúnebre de só uma vez, ao contrário da técnica antiga de retirar peça por peça. A câmara mede 12 x 15 m2 e foi retirada como um grande bloco de terra e transportado para Stuttgart. A razão para tal técnica é que os arqueólogos queriam preservar todo o material achado dentro da câmara mortuária sem correr o risco da exposição ao ar livre, o que geralmente danifica tecidos e vestimentas.
Dentro da tumba, jazia um homem com aproximadamente 40 anos e 1,87 m de altura, deitado num elegante sofá feito em bronze, ao estilo romano. Pelas ricas vestimentas e pelos objetos encontrados no corpo e ao redor dentro da tumba, o homem foi um chefe celta que viveu há 2.600 anos. No pescoço estava um torc (colar de batalha usado por várias culturas antigas, incluindo a celta) feito em placa de ouro, um bracelete no braço direito, um chapéu feito de casca de bétula, uma adaga de ferro e bronze decorada em ouro, joias em âmbar, uma navalha, um cortador de unhas, um pente, anzóis, flechas e, o mais fantástico, placas de ouro trabalhadas que decoravam seus sapatos. Aos pés do sofá, um grande caldeirão decorado com três leões. O caldeirão continha originalmente 400 litros de hidromel. Do lado oposto ao sofá de bronze, uma espécie de carroça feita em madeira com um conjunto de pratos em bronze e chifres que serviam como copos pendurados na parede, utensílios suficientes para servir nove pessoas.
A tumba do chefe celta data do último período da chamada Cultura Halstatt (640-475 AC) e que já foi objeto de artigo anterior de minha autoria. A exatidão do período de tempo foi possível por causa das joias em ouro e bronze encontradas na tumba.
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