7 de jul. de 2008

Um Pouco Sobre As Jóias de Catarina de Medici


Rainha francesa de origem italiana, Catarina nasceu em Florença no dia 13 de abril de 1519, filha de Lorenzo de Médici, duque de Urbino e da francesa Madeleine de La Tour D’Auvergne. Devido a um acordo entre o papa Clemente VII e o rei da França Francisco I, casou-se aos 14 anos com Henrique, segundo filho do rei francês. Durante os primeiros anos do casamento foi desprezada, por ser filha de uma “família de mercadores italianos” e por não conseguir conceber, mas teve ao todo 10 filhos com o marido, que assumiu o trono da França como Henrique II.

Travou durante toda a sua vida de casada uma luta surda com a amante do marido, Diana de Poitiers. Com a morte de Henrique II e de seu filho mais velho, Francisco II, Catarina finalmente conseguiu que Diana devolvesse as jóias da Coroa, com as quais fora presenteada pelo amante (que para isso a havia nomeado “Guardiã das Jóias da Coroa da França”), a retirar-se da Corte e a trocar o belíssimo castelo de Chenonceau pelo muito menos belo castelo de Chaumont-sur-Loire. Com a ascensão ao trono francês do filho Carlos XI, ainda menor de idade, em 1560, Catarina tornou-se regente da França.

Tentou conter os conflitos religiosos que dividiam a França, procurando manter-se imparcial em relação aos protestantes (huguenotes), liderados pelo almirante Gaspar de Coligny, e aos católicos, liderados pelos poderosos Guise. A situação de guerra civil na França culminou com a violenta Noite de São Bartolomeu em 24 de agosto de 1572, quando Coligny foi executado e as tropas dos Guise mataram 300 mil huguenotes.

Durante o período em que permaneceu no poder (até 1574), e mesmo ainda antes, foi uma apaixonada patronesse das Artes e entre suas principais realizações estão a ampliação do palácio do Louvre, residência então dos reis franceses, a construção do palácio das Tulherias e o aumento do acervo da biblioteca de Paris. Catarina morreu no castelo de Blois em 5 de janeiro de 1589.

As jóias, o vestido e os adereços que Catarina usa nesta pintura (de autor desconhecido) são muito representativos do Renascimento francês: o veludo negro do vestido da rainha é inteiramente recoberto com uma treliça feita de pérolas bordadas, contendo safiras e diamantes emoldurados em ouro em cada intersecção e sendo os espaços preenchidos por um desenho feito em fios de ouro. A parte superior do vestido, espartilhada, contém um decote em meia lua recoberto, em ambos os lados, por uma fina gaze rebordada de pérolas e safiras. A gola alta do vestido é também em gaze enfeitada por bordados nas pontas e deixa à mostra somente a parte frontal do pescoço. Um grande broche em ouro, diamantes, safiras e pérolas adorna a parte superior do vestido, e dele pende um fio de pérolas, diamantes e safiras. No pescoço a rainha usa um colar com as mesmas gemas que decoram suas roupas: pérolas, diamantes e safiras. Brincos de pérolas e diamantes adornam suas orelhas.

As mangas do vestido, da metade do braço até a metade do antebraço, estão cobertas por arminho. As mangas que cobrem os braços até as mãos dão a impressão de que fazem parte da roupa usada por baixo do vestido negro, mas são falsas, já que na verdade estão costuradas ao arminho. De mesma cor e tecido, seda rosa - clara, estão decoradas seguindo o mesmo padrão de design do vestido, mas são também rebordadas com fios de prata que formam um segundo padrão de design e possuem botões de ouro e diamantes para ajustar o cetim branco que sobressai das mangas. A saia da roupa inferior segue o mesmo padrão de design das mangas falsas.

A cintura da rainha francesa é adornada por um longo cinto feito de fios de pérolas, safiras e ouro e em cuja ponta pende uma cruz feita em ouro e decorada com diamantes, safiras e pérolas. O adorno de cabeça, conhecido como “capuz francês”, é decorado com as mesmas gemas que adornam as vestes da rainha e bordado com fios de ouro e prata. Na mão direita, Catarina segura um grande leque feito de penas de avestruz, ouro e decorado com as mesmas gemas que adornam suas vestes.

4 de jun. de 2008

O Tesouro de Hoxne

Foto British Museum


Descoberto em 1992, em Suffolk, Reino Unido, desde o início da sua descoberta teve arqueólogos envolvidos, o que permitiu a preservação de todos os achados, inclusive minúsculos fragmentos de folhas de prata. O tesouro consiste em objetos de ouro e prata, jóias e moedas que foram envoltos em pedaços de tecidos e enterrados dentro de uma arca de madeira, praticamente inexistente.

As 14.780 moedas (565 de ouro, 14.191 de prata e 24 de bronze), produto de dezoito cunhagens diferentes, apresentam as efígies de oito imperadores. As moedas de ouro, chamadas solidus, foram cunhadas no metal com 99% de pureza e datam entre os anos 394 e 405 DC, quando o imperador Honório (384-423 DC), filho do imperador bizantino Teodósio (346-395 DC), reinou no Império Romano do Ocidente enquanto seu irmão Arcádio (377-408 DC) reinava no Império Romano do Oriente. Nenhuma das moedas de ouro tinha mais de 15 anos de cunhagem quando foram enterradas, estando em excelentes condições.

As moedas de prata (pequenas e finas na espessura, conhecidas como siliquae, no plural, valiam 1/24 do solidus; na antiga Roma, o ouro valia 14 vezes a prata) foram cunhadas entre os anos 358 DC and 408 DC e representam as efígies de 15 diferentes imperadores. Pelo menos 80% das siliquae perderam parte da sua circunferência, um fenômeno aparentemente ocorrido somente nas ilhas Britânicas, o que pode evidenciar a quebra da autoridade romana nessa parte do império. Mesmo com a retirada do metal as efígies foram mantidas, o que significa que estavam em circulação antes de serem enterradas e o que o metal retirado foi reutilizado em outras cunhagens ou em forjas.

Além das moedas, o tesouro também contém outras duzentas peças, jóias em ouro e utensílios de uso diário como colheres. As 29 peças de joalheria são todas em ouro puro (e contendo mais de 22 quilates) e incluem anéis, braceletes e colares, sendo uma das jóias mais bonitas um colar peitoral em forma de X, e em cujas intersecções (peito e costas) estão colocados broches decorativos, um feito com uma moeda de ouro contendo a efígie do imperador Flavio Graciano (359-383 DC) e o outro contendo uma ametista central, rodeada por oito gemas, sendo quatro granadas e, nos outros quatro lugares vazios, acredita-se que existiam pérolas. Este tipo de peça de joalheria, bastante antigo na história da joalheria, é um achado raro em sítios arqueológicos, todavia. Bem pequeno nas suas dimensões, só pode ter sido usado por uma jovem e magra mulher, provavelmente em seus primeiros anos de adolescência.

Fazendo parte dos dezenove braceletes encontrados estão dois conjuntos com quatro braceletes idênticos cada, um par de braceletes idênticos e outro bracelete, mais largo, para ser usado no antebraço. Alguns foram decorados com figuras de animais e de caçadores em baixo relevo, enquanto outros foram decorados com open-work em padrões geométricos ou imitando as tramas de uma cesta de vime. O bracelete mais interessante é o exemplar dedicado a sua dona, contendo a inscrição em latim Utere Felix Domina Juliana (Utilize Com Felicidade, Senhora Juliana). Este tipo de desejo de boa-sorte era comum na joalheria romana do último período imperial.

As peças em prata incluem setenta e oito colheres, além de vinte conchas para líquidos e outros pequenos objetos, incluindo a pequena escultura de um tigre, que possivelmente era a alça de um dos lados de uma ânfora de vinho, já que o tigre e outros animais felinos eram associados ao deus Baco. Algumas das colheres possuem inscrito o nome do seu proprietário, Aurelius Ursicinus. Envoltas em pedaços de tecido, junto com as colheres e as conchas, estavam quarto pimenteiras, uma das quais em forma de busto feminino e com um disco interno que permitia a pulverização dos grãos de pimenta.

O Tesouro de Hoxne faz parte do acervo do Museu Britânico de Londres, desde a sua descoberta.

27 de mai. de 2008

Jóias na Antiga China

Pendentes em Jade
Foto British Museum


As antigas jóias chinesas possuíam uma grande variedade de formas e a maneira como homens e mulheres as utilizavam se relacionava diretamente com as intrincadas convenções de etiqueta social e o senso estético da sociedade chinesa durante os períodos que compreendem as dinastias Xia (2003 – 1562 AC) e Ming (1368- 1644 BC). As jóias eram usadas para ornamentar cabeça, orelhas, pescoço, peito, mãos, pés e até templos e podiam ser feitas em ouro, prata, ferro e bronze. As gemas preferidas eram o jade e a turquesa.

Na antiga sociedade imperial chinesa, os penteados e ornamentos de cabeça determinavam o status social de que os portava. A simetria era de vital importância para um perfeito adorno capilar - que combinava o penteado com as jóias escolhidas - e era até mais considerado do que o próprio valor das jóias em si. Em geral, o design das peças refletia a arquitetura da época, que utilizava a repetição de elementos ou grupos de elementos para conseguir pureza estética e equilíbrio. Assim, não somente as jóias e o penteado confirmavam o status social, mas também contribuíam de forma inequívoca para que a pessoa se tornasse visualmente um perfeito sistema estético.

As jóias mais populares do período imperial chinês foram os brincos. Estes tinham formas e estilos extremamente variados, sendo a arquitetura a principal fonte de inspiração, mais até do que a natureza.

Os ornamentos de pescoço incluíam colares, torcs (colares geralmente rígidos e usados próximos ao pescoço por proteção, compostos quase sempre por fios de ouro retorcidos; representavam riqueza, poder e coragem e também eram usados pelos homens em batalhas para demonstrar grau de comando; em geral tinham as suas extremidades decoradas com figuras zoomórficas (o dragão e o leão eram os prediletos) e peitorais. Algumas dessas jóias tinham somente uma função ornamental, enquanto que outras possuíam funções mágicas ou utilitárias.

Os peitorais eram outro tipo de adorno para pescoço e nas dinastias mais antigas eram compostos de correntes com um camafeu no centro. Mais tarde tomaram a forma de um disco chato, possivelmente inspirados em moedas, já que peitorais mais recentes, em forma de disco, possuem moedas na sua composição. Eram usados por membros da classe mais alta e em estátuas ou pinturas que representavam deuses.

Os braceletes também eram adornos populares e eram confeccionados geralmente em formas triangulares e circulares. Podiam ser maciços ou ocos e às vezes possuíam extremidades zoomórficas e eram usados por homens e mulheres igualmente, podendo ser em pares ou uma só peça. Existiam também os braceletes para tornozelos e seu design mais popular continha as duas extremidades da cobra, símbolo da força vital para os chineses.

Os anéis serviam para adornar ou cumprir funções, como atuar como selo, e eram confeccionados em secção triangular, circular, oval ou chata. As imagens representadas podiam ser zoomórficas ou antropomórficas, sendo as zoomórficas as preferidas. Também era muito comum o anel em forma de cone que vestia o dedo inteiro e possuía uma ponta bem afiada. Na classe mais alta era usado em todos os dedos das mãos.