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14 de abr. de 2009

A Simbologia na Joalheria Egípcia

Foto J.Bodsworth


Foto Museu Metropolitano de Nova York


A ornamentação das jóias egípcias era grandemente composta por símbolos que possuíam nomes e continham significados, sendo esta uma forma de expressão muito estreitamente ligada à simbologia dos hieróglifos. O escaravelho, o nó de Ísis, a flor de lótus, o olho de Horus ou udjat, a cruz ansata ou ankh, o falcão, a serpente e a esfinge são todos motivos decorativos carregados de simbologia religiosa.

O trabalho dos ourives egípcios era dominado pelo uso de amuletos. Apesar do repertório limitado de motivos decorativos, a criatividade, o domínio de técnicas de ourivesaria, o uso de cores fortes e a repetição de formas e desenhos mostram a maestria dos ourives, que confeccionavam jóias contendo mais do que um simples efeito decorativo: os motivos possuíam significados religiosos ou mágicos.

O motivo ou símbolo decorativo mais comum era o escaravelho, que significava ao mesmo tempo o sol e a criação. A cruz ansata, ou ankh, foi um dos mais importantes símbolos da cultura egípcia. Possívelmente surgido na Quinta Dinastia (2.498-2.345 aC), o ankh consistia em um hieróglifo representando a regeneração e a vida eterna e a idéia expressa em sua simbologia era a da força da vida reinando sobre a superfície da matéria inerte. O olho udjat (olho do deus Horus) protegia contra a inveja e as flores de lótus simbolizavam ressurreição. Os motivos decorativos na joalheria egípcia também incluíam figuras de deidades variadas, hieróglifos e nós.

O enorme simbolismo das jóias antigas egípcias também se refletia no uso de determinadas cores. De acordo com o Livro dos Mortos, sabemos que o azul-escuro representava o céu quando noite, o verde a ressurreição e a renovação, e o vermelho o sangue, a energia e a vida.



22 de jan. de 2008

A Tiara


Tiara "Borboletas" Jóia e Foto Julieta Pedrosa


Foram os egípcios que nos legaram os mais antigos exemplares de tiaras já encontrados. Enquanto as coroas usadas pelos faraós e sacerdotes eram ostentosas e magníficas, as tiaras usadas pelas princesas no antigo Egito eram delicadas, confeccionadas a partir de fios de ouro ou prata e a inspiração para o design vinha das formas natureza.

As tiaras, ao tempo dos antigos gregos e romanos, eram de início simples fitas de tecido atadas em volta da testa ou na cabeça e eram usadas por homens e mulheres das camadas mais nobres da sociedade. Com o tempo, as fitas de tecido passaram a ser adornadas com pérolas e gemas como rubis, diamantes e esmeraldas.

Um outro estilo de tiara também foi bastante usado pelas duas antigas culturas: tiaras feitas com folhas de louro eram dadas aos vencedores nos esportes, aos generais vencedores e aos dignitários e governantes, sendo assim um símbolo absoluto do poder da vitória. As tiaras feitas de folhas de louro foram mais tarde, substituídas por tiaras cujas folhas, imitando as do loureiro, eram feitas em ouro, prata ou em um metal mais simples, como o cobre. As noivas romanas costumavam usar uma tiara feita com flores de laranjeira, que simbolizava inocência e pureza.

Inspiradas na antiga Roma, as mulheres da corte napoleônica usaram tiaras como adornos para cabelos. Eram simples, simétricas e feitas em ouro e decoradas com imitações de folhas de louro ou da oliveira. A restauração da dinastia Bourbon, depois da queda de Napoleão Bonaparte, deu ensejo a jóias extravagantes na restaurada corte real francesa, e as tiaras passaram a ser bem mais elaboradas no design e ricamente decoradas com gemas.

No século XIX, os joalheiros ingleses se sobressaíram no design e na confecção das mais bonitas tiaras e também foi a partir desse século que a tiara passou a ser associada a casamentos, como adorno principal nos cabelos de uma noiva.

Durante a década de 1840, a rainha Vitória levou a Inglaterra a uma época de prosperidade e riqueza. Também próspera, a França viu o chamado Segundo Império começar com a coroação de Napoleão III em 1852 e o surgimento de uma nova era de glamour na alta sociedade parisiense. Em toda a Europa, a vida nas cortes floresceu e jóias magníficas se tornaram moda, e as tiaras estavam entre as jóias mais destacadas.

A aristocracia russa levou a extravagância européia a um nível mais alto nas últimas décadas do século XIX, mostrando as jóias mais luxuosas vistas nas cortes reais. Joalheiros de São Petersburgo e de Paris confeccionaram maravilhosas tiaras para a czarina, princesas e arquiduquesas.

Durante a primeira década do século XX, as tiaras se tornaram o principal adorno feminino nas altas classes da Europa. Para a coroação dos reis ingleses Eduardo II em 1902 e Jorge V em 1911, foram feitas tiaras especialmente para as ocasiões. E, na Ópera de Paris, aconteciam eventos conhecidos como “Noites da tiara”, onde as senhoras da alta-sociedade disputavam a atenção dos demais convidados com suas tiaras de designs cada vez mais elaborados.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as tiaras voltaram a ser simples e começaram a dar lugar às aigrettes, mas mesmo com as grandes mudanças sociais e econômicas advindas com o conflito, as tiaras sobreviveram no gosto feminino. Para harmonizarem com os novos cortes de cabelo das décadas de 20 e 30 do século passado, foram criados novos designs de tiaras. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, entretanto, o revival das tiaras teve um fim e, desde então, nunca mais adquiriu seu antigo status proeminente.

Mas as tiaras jamais saíram de moda nos casamentos. As tiaras de casamento passaram a ser desenhadas e confeccionadas de maneira a permitir que a noiva transmita um ar de realeza e encantamento na cerimônia de casamento, saindo do círculo exclusivo em que estiveram por tanto tempo e assim passando a ser acessíveis a todas as mulheres.
Confeccionadas em ouro, prata e platina, além de materiais mais simples, e nos mais variados estilos e designs, podem ser decoradas ainda com pérolas, diamantes, cristais ou outras gemas para aumentar seu brilho e glamour.
Em geral, o design das peças possui flores e/ou folhagens, tradição milenar, mas pode conter também somente elementos geométricos ou composições de linhas sinuosas ou ainda estrelas, a lua e o sol estilizados.

Para a grande maioria das mulheres modernas, a ocasião do casamento é a única oportunidade em suas vidas onde podem usar uma tiara sem medo de estarem inadequadas em termos de moda ou ocasião social. A escolha da tiara perfeita tem o objetivo principal de tornar a noiva o centro de todas as atenções e nem mesmo a mais simples das cerimônias de casamento em geral prescinde dela, pois a tiara é a principal jóia que, carregada de glamour e simbolismo, a noiva usará na sua data especial e tem sido assim desde muitos séculos.