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12 de set. de 2012

A Vida e as Joias de La Paiva




Nascida em um gueto judeu moscovita da Rússia de 1819, Esther Lachman, dita Thérèse Lachman, ascendeu socialmente na França de Napoleão III como cortesã. Época chamada de Período Dourado pelos que a vivenciaram, a Europa sem guerras a partir de 1815 viu chegar uma era de prosperidade, tanto na economia e na ciência quanto nas diversas formas de artes. Tal prosperidade não era mais somente um privilégio da classe nobre, mas se estendeu também às novas fortunas surgidas com a Revolução Industrial e que usavam as extravagâncias do luxo como forma de demonstrar poder.

Contemporânea de outra famosa cortesã, Alphonsine Duplessis - imortalizada por Dumas como a Dama das Camélias- Thérèse tinha uma beleza exótica (cabelos negros emoldurando um rosto de traços mongóis), era esperta, incrivelmente ambiciosa e sem escrúpulos e foi em Paris que desenvolveu sua paixão pelo luxo e por jóias.

Casada aos 17 anos com um peleteiro de nome Antoine Villoing, com quem teve um filho,  logo se cansou da vida simples de mulher de um pequeno comerciante de peles e abandonou filho e marido para viver e trabalhar em um bordel de luxo no Marais que tinha como clientes ricos comerciantes, nobres e artistas, como o compositor Richard Wagner.

Em três anos, Thérèse já possuía vários vestidos luxuosos e algumas jóias e peles, dadas de presente pelo seu amante mais apaixonado, o inglês Lord Stanley. Com a morte do primeiro marido, passou a procurar um segundo e o encontrou na pessoa do marquês português Albino Francisco de Paiva Araújo, que não imaginava exatamente o movimentado passado amoroso da agora marquesa de Paiva, ou La Paiva, como Thérèse passou a ser conhecida na sociedade. Frustrado e com vergonha ao descobrir detalhes do passado da esposa, suicidou-se com um tiro em 1872.

Após a morte do segundo marido, La Paiva casou-se com o conde prussiano Guido Henkel Von Donnersmarck, imensamente rico, de família da alta nobreza e amigo do imperador alemão, além de 11 anos mais moço. Como condessa, apesar da sociedade parisiense jamais ter cruzado os umbrais dos belíssimos portões da mansão do conde na Avenida Champs Elysée, Thérèse finalmente atingiu o patamar máximo da sua ambição e passou a experimentar todos os luxos ainda não desfrutados.

Tornou-se uma das mais assíduas clientes da Maison Boucheron e, entre 1878 e 1883, fez exatamente 30 visitas, nas quais adquiria gemas que depois entregava à própria Maison para que fossem feitas jóias de acordo com seu gosto, ou então comprava várias peças prontas de uma só vez. Uma de suas mais memoráveis aquisições aconteceu em 1882, quando comprou por 157.000 francos (em valores da época) pérolas, esmeraldas, rubis e safiras, para no dia seguinte voltar à Boucheron e encomendar a montagem de várias jóias, dentre as quais um bracelete decorado com três grandes esmeraldas, uma rivière contendo 12 diamantes e 13 rubis e outra contendo 15 diamantes lapidados em brilhante e 15 esmeraldas em lapidação esmeralda. Esta última rivière foi levada à leilão pela Christie`s de  Genebra, Suíça, em 15 de novembro de 2007, e arrematada por um milhão de novecentos mil Euros.

La Paiva morreu em 1884, aos 64 anos, no castelo de seu marido, em Neudeck, Alemanha. Em 1887, o conde casou-se novamente, desta vez com uma jovem aristocrata russa, Katharina Slepzow, a quem presenteou com a maior parte das jóias pertencentes à primeira esposa.

Thérèse continuou a surpreender mesmo depois de sua morte: seu corpo, embalsamado numa solução alcoólica dentro de um enorme jarro de vidro, foi descoberto pela segunda esposa do Conde Von Donnersmarck num quarto que permanecia há anos fechado à chave, dentro do castelo. Conta-se que o conde ficava trancado por horas dentro do quarto, chorando a morte de La Paiva..

9 de mai. de 2008

Van Cleef & Arpels e a Técnica da Cravação Misteriosa


Foto e Jóia Van Cleef & Arpels


Em fins da década de 1920, os joalheiros parisienses começaram a mudar seus conceitos a respeito do design na joalheria. Esta mudança começou a partir da Exposição de Artes Decorativas e Industriais acontecida na Paris de 1925. O estilo Arte Decó que emergiu das transformações sociais, industriais e comerciais ocorridas nas duas primeiras décadas do século XX era um estilo de design angular e arquitetural, que podia ser retilíneo ou curvilíneo, sempre utilizando formas geométricas como linhas retas, círculos, quadrados, retângulos e triângulos.

Uma técnica essencial para o design de uma jóia tornou-se um ícone do período e permanece popular até nossos dias: a chamada cravação invisível. Esta técnica de cravar gemas se originou do desejo dos joalheiros de que as gemas tivessem o máximo de visibilidade nas jóias, sem a interferência do metal precioso. Três joalheiros conseguiram alcançar a perfeição neste tipo de cravação, mas só Van Cleef & Arpels tornou-se sinônimo da mesma.

Em 1929, o joalheiro parisiense Jacques-Albert Algier desenvolveu e patenteou um método de segurar a gema na jóia sem garras de metal precioso ou qualquer outro tipo de recurso que mostrasse o metal em meio às gemas. Algier conseguiu isso esculpindo sulcos em lados opostos de cada gema e usando diminutos trilhos feitos no metal precioso para a colocação da gema na jóia. Assim, cada gema era cravada lado a lado com outra, efetivamente mascarando o metal, conseguindo um efeito visual delicado parecido com uma fita.

Próximo ao método criado por Algier estava a Maison Cartier em 1933. Mas em vez de incorporar a nova técnica de cravação ao design da Maison, a Cartier, provavelmente por já estar fazendo enorme sucesso com suas jóias multicoloridas chamadas de “tutti-frutti” ou as de estilo Art Decó, seus famosos “relógios misteriosos” e com sua linha de objetos de arte com inspiração no antigo Egito, não deu grande importância a nova técnica.

Mas ao contrário da Cartier, sua concorrente e competidora na parisiense Place Vendôme Van Cleef & Arpels, não relutou em abraçar a nova técnica e usar todos os recursos disponíveis para chegar à perfeição da mesma.

Foram os irmãos Charles e Julien Arpels os fundadores da Maison em 1906, junto com seu primo e cunhado Alfred Van Cleef. O outro irmão Arpels, Louis, juntou-se aos demais seis anos depois. Julien era especialista em gemas, Alfred um excelente lapidário e Louis e Charles eram competentes comerciantes que usavam grandes doses de charme para seduzir clientes da alta-sociedade européia. Esta combinação de talentos foi a chave para o sucesso da Maison que, no entanto, não chegou tão rápido.

Em meados da década de 1920, a Van Cleef & Arpels (VCA) ainda estava tentando se estabelecer com estrela no mercado da joalheria de luxo parisiense. O reconhecimento, e com ele o sucesso e as encomendas de clientes da alta-sociedade européia e norte-americana veio com a exposição de 1925, onde a Maison arrematou o “Grand Prix” com um bracelete cujo design era um ramalhete de rosas feitas de rubis e diamantes, com a folhagem em esmeraldas. Em dezembro de 1933, nove meses depois da Cartier, a Maison registrou sua técnica de cravação invisível, que recebeu o nome de “serti mysterieux”, ou cravação misteriosa.

Uma das dificuldades da técnica patenteada pela VCA era a necessidade imperiosa de escavar sulcos precisamente iguais nos lados opostos de cada gema. Para conseguir, usavam lâminas serrilhadas feitas de seda endurecida, recobertas com pó de diamantes. Muitas gemas foram quebradas durante o processo da escavação dos sulcos. Claramente, isso aumentava as despesas, e conseqüentemente o valor final da jóia, já que cada gema quebrada, como um rubi da Birmânia (atual Mianmar), por exemplo, tinha que ser reposta por outra exatamente igual. Em algumas das peças mais importantes da Maison foram utilizadas centenas de gemas, e meses de trabalho manual extenuante. As primeiras jóias com a técnica da cravação invisível usaram o que foi chamado de “trilhos em T”: a gema, com os sulcos esculpidos, era pressionada para encaixar nos trilhos feitos no metal precioso. Outra maneira, também bastante trabalhosa, era colocar as gemas em uma espécie de grade de ouro e então as colocar uma a uma no lugar por meio de fios lisos e chatos de ouro que eram passados pelos sulcos nas mesmas. É claro que cada gema tinha não somente que ter seus sulcos escavados nos lugares necessários, mas também ser facetada perfeitamente de forma a ocupar sua posição ao lado de outra gema, concorrendo para a beleza do design escolhido. Era imperativo que o lapidário trabalhasse lado a lado com o ourives.

As jóias com a técnica “serti mysterieux” foram um imenso sucesso, e por duas décadas a Van Cleef & Arpels produziu e vendeu um grande número de jóias decoradas com gemas em cravação invisível. No entanto, com as mudanças de estilo da década de 50 do século passado, a cravação invisível perdeu muito do seu apelo, retornando somente em meados dos anos 80.

Desde então, a cravação invisível tem sido uma grande responsável pela composição de maravilhosos designs na joalheria, graças a novas técnicas de fabricação de jóias que utilizam materiais como titânio e cerâmica, além de ferramentas a laser. A maioria das jóias nas quais foi e é utilizada a técnica da cravação invisível contém, por exemplo, diamantes cujo tamanho varia de 1,4 mm a 3,5 mm, o que significa aproximadamente gemas entre 0,01 e 0,16 quilates. No mercado joalheiro mundial, diamantes entre 1,4 mm e 1,8 mm são considerados gemas pequenas, os que variam entre 1,9 mm e 2,5 mm são diamantes médios e, entre 2,7 mm e 3,5 mm, diamantes grandes.

Em fevereiro de 2006, a Van Cleef & Arpels lançou no Mercado, junto com a Montblanc, a caneta mais cara e luxuosa do mundo, chamada apropriadamente de “Mystery Marterpiece”, como parte das comemorações pelo centenário de ambas as marcas.

Cada caneta tem seu corpo em ouro branco, adornado por safiras, esmeraldas ou rubis (foram feitos somente três exemplares com cada gema), e com 840 diamantes acentuando o luxo da peça. Todas as gemas foram cravadas com uma nova variação do método da cravação misteriosa. Esta variação esconde completamente o metal precioso usado para segurar a gema na peça, e o resultado é a ilusão de que as gemas “flutuam” na superfície da caneta. A tampa possui a estrela, marca registrada da Montblanc, cravejada de diamantes redondos enquanto que uma borboleta em ouro branco com diamantes repousa sobre o clip. Somente nove exemplares foram produzidos. Lançada através de uma espetacular campanha de marketing, cada caneta foi colocada à venda por 730.000 dólares, nas principais lojas Van Cleef & Arpels e Montblanc.

Foto e Caneta : Montblanc e Van Cleef & Arpels

13 de fev. de 2008

As Jóias de La Paiva

Foto Reuters


Nascida em um gueto judeu moscovita da Rússia de 1819, Esther Lachman, dita Thérèse Lachman, ascendeu socialmente na França de Napoleão III como cortesã. Época chamada de Período Dourado pelos que a vivenciaram, a Europa sem guerras a partir de 1815 viu chegar uma era de prosperidade, tanto na economia e na ciência quanto nas diversas formas de artes. Tal prosperidade não era mais somente um privilégio da classe nobre, mas se estendeu também às novas fortunas surgidas com a Revolução Industrial e que usavam as extravagâncias do luxo como forma de demonstrar poder.

Contemporânea de outra famosa cortesã, Alphonsine Duplessis, imortalizada por Dumas como a Dama das Camélias, era tida como de uma beleza exótica (cabelos negros emoldurando um rosto de traços mongóis), esperta, incrivelmente ambiciosa e sem escrúpulos e foi em Paris que Thérèse desenvolveu sua paixão pelo luxo e por jóias. Casada aos 17 anos com um peleteiro de nome Antoine Villoing, com ele teve um filho, mas logo se cansou da vida simples de mulher de um pequeno comerciante de peles e os abandonou para viver e trabalhar em um bordel de luxo no Marais que tinha como clientes, dentre outros artistas, ricos comerciantes e nobres, o compositor Richard Wagner.

Em três anos, Thérèse já possuía vários vestidos luxuosos, algumas jóias e peles, dadas de presente pelo seu amante mais apaixonado, o inglês Lord Stanley. Com a morte do primeiro marido, passou a procurar um segundo e o encontrou na pessoa do marquês português Albino Francisco de Paiva Araújo, que não imaginava exatamente o movimentado passado amoroso da agora marquesa de Paiva, ou La Paiva, como Thérèse passou a ser conhecida na sociedade. Frustrado e com vergonha ao saber de detalhes do passado da esposa suicidou-se com um tiro em 1872.

Era então hora de partir para o terceiro marido e La Paiva casou-se então com o conde prussiano Guido Henkel Von Donnersmarck, imensamente rico, de família da alta nobreza e amigo do imperador alemão, além de 11 anos mais moço. Como condessa, apesar da sociedade parisiense jamais ter cruzado os umbrais dos belíssimos portões da mansão do conde na Avenida Champs Elysée, Thérèse finalmente atingiu o patamar máximo da sua ambição e passou a desfrutar de todos os luxos ainda não desfrutados.

Tornou-se uma das mais assíduas clientes da Maison Boucheron e entre 1878 e 1883 fez exatamente 30 visitas, nas quais adquiria gemas que depois entregava a própria Maison para que fosse feitas jóias de acordo com seu gosto, ou então comprava várias peças prontas de uma só vez. Uma de suas mais memoráveis aquisições aconteceu em 1882, quando comprou por 157.000 francos (em valores da época) pérolas, esmeraldas, rubis e safiras, para no dia seguinte voltar à Boucheron e encomendar a montagem de várias jóias, dentre as quais um bracelete decorado com três grandes esmeraldas, uma rivière contendo 12 diamantes e 13 rubis e outra contendo 15 diamantes lapidados em brilhante e 15 esmeraldas em lapidação esmeralda, esta última levada à leilão na Christie`s de Genebra, Suíça, em 15 de novembro de 2007, e arrematada por 1.900.000,00 Euros.

La Paiva morreu em 1884, aos 64 anos, no castelo de seu marido, em Neudeck, Alemanha. Em 1887, o conde casa-se novamente, desta vez com uma jovem aristocrata russa, Katharina Slepzow, a quem oferta a maior parte das jóias pertencentes à primeira esposa. Surpreendente enquanto viva, Thérèse não deixou de surpreender também depois de morta: seu corpo, embalsamado numa solução alcoólica dentro de um enorme jarro de vidro, foi descoberto pela segunda esposa do Conde Von Donnersmarck num quarto que permanecia há anos fechado à chave, dentro do castelo. Conta-se que o conde ficava trancado por horas dentro do quarto, chorando a morte da primeira esposa.

6 de fev. de 2008

O Tesouro de Guarrazar

Foto Museu Arqueológico Nacional da Espanha


O tesouro de Guarrazar foi encontrado na Espanha no final do século XIX, em Guadamur, perto de Toledo, em 1858, quando uma chuva forte descobriu algumas tumbas antigas escondidas e seladas em concreto. Dentro delas, estava o maior tesouro visigodo encontrado na Península Ibérica.
Datadas do século VII, as jóias e peças encontradas exemplificam a maestria dos ourives visigodos. O tesouro é formado por coroas, cruzes e vários objetos. As coroas e as cruzes, feitas em ouro e decoradas em padrões simétricos com esmaltação cloisonné, possuem gemas lapidadas em cabochon: safiras, granadas, pérolas, madrepérolas, ametistas rosa, calcedônias, quartzos brancos, esmeraldas e também contas de vidro.
As jóias demonstram o sofisticado estilo que confirma as relações de comércio dos visigodos com os bizantinos. As correntes de ouro que sustentam coroas e cruzes sugerem que eram usadas em rituais religiosos e também podiam ter sido oferendas votivas de reis visigodos, nobres e bispos.
Infelizmente, grande parte das jóias de Guarrazar foi vendida e derretida e em 1921, a coroa do rei Suintila foi roubada em Madrid. Ainda assim, o tesouro atualmente inclui a coroa votiva do rei Recceswinth, que reinou de 652 a 672, dez coroas menores, nove cruzes, 16 pendentes, correntes e partes de objetos variados e está distribuído por três museus europeus: o Museu Arqueológico Nacional e o Museu do Palácio Real, ambos em Madrid, Espanha e o Museu Nacional da Idade Média (Musée de Cluny), em Paris, França.
Não existe nenhuma documentação que precise a data do tesouro de Guarrazar. Entretanto, a razão mais provável para os objetos preciosos terem sido guardados nas tumbas pode ter sido a chegada dos mouros (árabes) à Península Ibérica no início do século VIII. Em 711, o rei visigodo Roderick (710-711) foi vencido em batalha na região de Guadalete. Dois anos depois, uma enorme parte da Península estava submissa ao Islã e passava agora a se chamar Al-Andaluz.

22 de jan. de 2008

A Tiara


Tiara "Borboletas" Jóia e Foto Julieta Pedrosa


Foram os egípcios que nos legaram os mais antigos exemplares de tiaras já encontrados. Enquanto as coroas usadas pelos faraós e sacerdotes eram ostentosas e magníficas, as tiaras usadas pelas princesas no antigo Egito eram delicadas, confeccionadas a partir de fios de ouro ou prata e a inspiração para o design vinha das formas natureza.

As tiaras, ao tempo dos antigos gregos e romanos, eram de início simples fitas de tecido atadas em volta da testa ou na cabeça e eram usadas por homens e mulheres das camadas mais nobres da sociedade. Com o tempo, as fitas de tecido passaram a ser adornadas com pérolas e gemas como rubis, diamantes e esmeraldas.

Um outro estilo de tiara também foi bastante usado pelas duas antigas culturas: tiaras feitas com folhas de louro eram dadas aos vencedores nos esportes, aos generais vencedores e aos dignitários e governantes, sendo assim um símbolo absoluto do poder da vitória. As tiaras feitas de folhas de louro foram mais tarde, substituídas por tiaras cujas folhas, imitando as do loureiro, eram feitas em ouro, prata ou em um metal mais simples, como o cobre. As noivas romanas costumavam usar uma tiara feita com flores de laranjeira, que simbolizava inocência e pureza.

Inspiradas na antiga Roma, as mulheres da corte napoleônica usaram tiaras como adornos para cabelos. Eram simples, simétricas e feitas em ouro e decoradas com imitações de folhas de louro ou da oliveira. A restauração da dinastia Bourbon, depois da queda de Napoleão Bonaparte, deu ensejo a jóias extravagantes na restaurada corte real francesa, e as tiaras passaram a ser bem mais elaboradas no design e ricamente decoradas com gemas.

No século XIX, os joalheiros ingleses se sobressaíram no design e na confecção das mais bonitas tiaras e também foi a partir desse século que a tiara passou a ser associada a casamentos, como adorno principal nos cabelos de uma noiva.

Durante a década de 1840, a rainha Vitória levou a Inglaterra a uma época de prosperidade e riqueza. Também próspera, a França viu o chamado Segundo Império começar com a coroação de Napoleão III em 1852 e o surgimento de uma nova era de glamour na alta sociedade parisiense. Em toda a Europa, a vida nas cortes floresceu e jóias magníficas se tornaram moda, e as tiaras estavam entre as jóias mais destacadas.

A aristocracia russa levou a extravagância européia a um nível mais alto nas últimas décadas do século XIX, mostrando as jóias mais luxuosas vistas nas cortes reais. Joalheiros de São Petersburgo e de Paris confeccionaram maravilhosas tiaras para a czarina, princesas e arquiduquesas.

Durante a primeira década do século XX, as tiaras se tornaram o principal adorno feminino nas altas classes da Europa. Para a coroação dos reis ingleses Eduardo II em 1902 e Jorge V em 1911, foram feitas tiaras especialmente para as ocasiões. E, na Ópera de Paris, aconteciam eventos conhecidos como “Noites da tiara”, onde as senhoras da alta-sociedade disputavam a atenção dos demais convidados com suas tiaras de designs cada vez mais elaborados.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as tiaras voltaram a ser simples e começaram a dar lugar às aigrettes, mas mesmo com as grandes mudanças sociais e econômicas advindas com o conflito, as tiaras sobreviveram no gosto feminino. Para harmonizarem com os novos cortes de cabelo das décadas de 20 e 30 do século passado, foram criados novos designs de tiaras. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, entretanto, o revival das tiaras teve um fim e, desde então, nunca mais adquiriu seu antigo status proeminente.

Mas as tiaras jamais saíram de moda nos casamentos. As tiaras de casamento passaram a ser desenhadas e confeccionadas de maneira a permitir que a noiva transmita um ar de realeza e encantamento na cerimônia de casamento, saindo do círculo exclusivo em que estiveram por tanto tempo e assim passando a ser acessíveis a todas as mulheres.
Confeccionadas em ouro, prata e platina, além de materiais mais simples, e nos mais variados estilos e designs, podem ser decoradas ainda com pérolas, diamantes, cristais ou outras gemas para aumentar seu brilho e glamour.
Em geral, o design das peças possui flores e/ou folhagens, tradição milenar, mas pode conter também somente elementos geométricos ou composições de linhas sinuosas ou ainda estrelas, a lua e o sol estilizados.

Para a grande maioria das mulheres modernas, a ocasião do casamento é a única oportunidade em suas vidas onde podem usar uma tiara sem medo de estarem inadequadas em termos de moda ou ocasião social. A escolha da tiara perfeita tem o objetivo principal de tornar a noiva o centro de todas as atenções e nem mesmo a mais simples das cerimônias de casamento em geral prescinde dela, pois a tiara é a principal jóia que, carregada de glamour e simbolismo, a noiva usará na sua data especial e tem sido assim desde muitos séculos.