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14 de ago. de 2013
O Mistério do Tesouro de Sutton Hoo
Enterrado perto do estuário do Rio Deben, no local
conhecido como Sutton Hoo, em Suffolk, Inglaterra, o barco que pertenceu a um
rei saxão foi descoberto em 1939, poucos meses antes de ter início a II Guerra
Mundial. Estudos indicam que possa ter pertencido ao rei pagão Raedwald, que
viveu nesta região por volta do século VII e morreu em 625 dC. Um dos chamados
Quatro Senhores da Bretanha, e conhecido como rei da Anglia do Leste, reinou
sobre reinos menores e reverteu toda a região sob seu domínio ao paganismo,
admitindo nos mesmos altares os deuses pagão e o Deus cristão.
O interior do barco foi encontrado totalmente
recoberto por tapetes e contendo todos os objetos pertencentes a um rei
guerreiro: elmo, cota de malhas, espada, escudo, martelo usado em batalhas,
fivelas para manto e botões para vestimenta, cetro, uma lança que provavelmente
deve ter servido como porta-estandarte, moedas e diversos objetos de uso
diário, como vasilhas em prata e em bronze, pratos de madeira, chifres que
serviam como copos para servir bebidas, uma enorme e intrincada corrente e
pedaços de tecidos feitos em lã nas cores índigo, vermelho e amarelo.
Elmo
British Museum
Feito em ferro, o elmo é decorado com finas folhas
de bronze e detalhes em prata, onde se encontram gravadas cenas com animais e
também da mitologia escandinava. O escudo e a espada também são
impressionantes. Inicialmente recoberto com madeira e lã grossa, o escudo agora
somente mostra a sua estrutura em ferro e dois animais que o decoram: um dragão
e um pássaro, ambos em bronze e guarnecidos com granadas. O punho da espada é
maravilhosamente decorado em ouro e granadas com a técnica do cloisonné e o corpo da espada consiste
em várias folhas de ferro trabalhadas em paralelo, formando uma espada
extremamente pesada e mortal.
Fivela para manto
British Museum
Mas é nos objetos menores, verdadeiras joias, como
as fivelas para o manto e para o cinto, e a bainha da espada que podemos
constatar a maravilha e a excelência dos ourives anglo-saxões daquela época. De
confecção extremamente intrincada e delicada, sugerindo um virtuosismo do
ourives, a fivela do cinto, em ouro e bronze, possui três fechos de segurança e
as fivelas para o manto, feitas em ouro e decoradas com vidro em millefiori , cloisonné e granadas, são moldadas
convexamente para se adequarem aos ombros e possuem um padrão decorativo
zoomórfico, de design altamente sofisticado.
Não
foram encontrados vestígios de um corpo no solo ácido da região onde o barco
foi enterrado, o que sugere que o mesmo era um monumento em honra a um rei, que
por sua vez foi enterrado em outro lugar. Evidências de fosfatos residuais
provam, no entanto, que um corpo esteve um dia enterrado dentro do barco...
Fivela para cinto
British Museum
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23 de nov. de 2012
Uma Paixão Transformada em Comenda
| Rei Eduardo III |
A Ordem da Jarreteira é a mais alta e mais antiga comenda britânica e foi instituída pelo rei inglês Eduardo III em 1348. Ao criar a Ordem, composta pela pessoa do rei e por 25 cavaleiros, Eduardo III quis premiar e reconhecer os que se destacavam pela lealdade à Coroa e pelo mérito militar. Os primeiros a serem condecorados pelo rei com a Ordem da Jarreteira além do seu próprio filho, o príncipe de Gales (também conhecido na História pela alcunha de Príncipe Negro, devido à cor da sua armadura de batalha e ao seu valor militar), foram os cavaleiros que serviram nas campanhas inglesas em território francês, especialmente durante a famosa Batalha de Crécy, campanhas que iniciaram o conflito medieval entre Inglaterra e França que seria conhecido mais tarde como a Guerra dos Cem Anos e que foram motivadas pela reivindicação de Eduardo III ao trono da França. Todos os primeiros cavaleiros agraciados tinham idades que variavam dos dezessete aos trinta e poucos anos.
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| Rainha Philippa de Hainault |
Conta a História sobre a origem romântica da Ordem, uma jarreteira (ou liga) azul: O rei Eduardo III, coroado aos 14 anos, era filho de uma princesa francesa de nome Isabelle, mais tarde rainha da Inglaterra, com o rei inglês Eduardo II. Eduardo casou-se muito cedo, aos quase 15 anos, com seu primeiro amor, a princesa belga Philippa de Hainault, a quem era muito devotado e com quem teve 13 filhos.
Após anos de fidelidade no casamento, e já com uma esposa não muito atraente devido aos inúmeros partos, Eduardo III se apaixona por uma bela mulher casada, Joan, então condessa de Salisbury. Apesar de tentar várias vezes iniciar um romance com a condessa, que já estava no seu segundo casamento, o rei Eduardo via-se frustrado em todas as suas tentativas, mas continuava obstinadamente apaixonado por Joan.
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| Joan, condessa de Salisbury e de Kent |
Então, durante um banquete festivo em Calais, onde os ingleses celebravam sua conquista sobre a cidade francesa, o rei Eduardo III pede que a condessa o acompanhe numa dança. À contragosto, Joan aceita o pedido irrecusável do rei e começam a dançar na frente de toda a Corte e da rainha Phillippa, que estava presente. No meio da dança, uma das ligas que seguravam as meias de Joan se desata e cai no chão. Imediatamente, e para espanto de todos, o rei recolhe a liga azul do chão e a amarra abaixo do seu joelho esquerdo. Ante os murmúrios baixos de damas e cavalheiros presentes, Eduardo III pronuncia a frase que se tornaria mais tarde o lema da Ordem: “Honi Soit Quit Mal Y Pense” (maldito seja quem pensar mal).
O rei não conseguiu o coração de Joan, mas seu filho, o Príncipe Negro, sim. Mulher de beleza notável, Joan era dona de uma história afetiva conturbada. Seu primeiro casamento com o nobre Thomas Holland, realizado secretamente, foi considerado nulo por sua própria família e pelo rei na ausência de Holland, que viajara para a Prússia em busca de honras militares. Após a anulação, Joan é obrigada a se casar com William Montague, futuro conde de Salisbury e um dos amigos mais próximos do rei.
Mas seu primeiro marido, ao voltar da Prússia, pede a anulação deste segundo casamento ao Papa e Joan apóia o seu gesto, sendo por isso encarcerada num castelo pelo seu segundo marido, que só a liberta ao receber uma ordem papal. Thomas Holland, agora duque de Kent, e Joan voltam então a serem casados. Com a morte do duque e já com a fama de maior dama da cavalaria medieval, devido ao episódio da liga azul, Joan se casa com o Príncipe Negro, apaixonado por ela desde muitos anos e também envolto, devido às suas ações em batalha, em uma aura de herói da cavalaria. Joan torna-se mais tarde, com a morte do marido e príncipe de Gales - que morre antes de seu pai, o rei Eduardo III - mãe do próximo rei inglês, Ricardo II.
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6 de fev. de 2008
O Tesouro de Guarrazar
O tesouro de Guarrazar foi encontrado na Espanha no final do século XIX, em Guadamur, perto de Toledo, em 1858, quando uma chuva forte descobriu algumas tumbas antigas escondidas e seladas em concreto. Dentro delas, estava o maior tesouro visigodo encontrado na Península Ibérica.
Datadas do século VII, as jóias e peças encontradas exemplificam a maestria dos ourives visigodos. O tesouro é formado por coroas, cruzes e vários objetos. As coroas e as cruzes, feitas em ouro e decoradas em padrões simétricos com esmaltação cloisonné, possuem gemas lapidadas em cabochon: safiras, granadas, pérolas, madrepérolas, ametistas rosa, calcedônias, quartzos brancos, esmeraldas e também contas de vidro.
As jóias demonstram o sofisticado estilo que confirma as relações de comércio dos visigodos com os bizantinos. As correntes de ouro que sustentam coroas e cruzes sugerem que eram usadas em rituais religiosos e também podiam ter sido oferendas votivas de reis visigodos, nobres e bispos.
Infelizmente, grande parte das jóias de Guarrazar foi vendida e derretida e em 1921, a coroa do rei Suintila foi roubada em Madrid. Ainda assim, o tesouro atualmente inclui a coroa votiva do rei Recceswinth, que reinou de 652 a 672, dez coroas menores, nove cruzes, 16 pendentes, correntes e partes de objetos variados e está distribuído por três museus europeus: o Museu Arqueológico Nacional e o Museu do Palácio Real, ambos em Madrid, Espanha e o Museu Nacional da Idade Média (Musée de Cluny), em Paris, França.
Não existe nenhuma documentação que precise a data do tesouro de Guarrazar. Entretanto, a razão mais provável para os objetos preciosos terem sido guardados nas tumbas pode ter sido a chegada dos mouros (árabes) à Península Ibérica no início do século VIII. Em 711, o rei visigodo Roderick (710-711) foi vencido em batalha na região de Guadalete. Dois anos depois, uma enorme parte da Península estava submissa ao Islã e passava agora a se chamar Al-Andaluz.
Datadas do século VII, as jóias e peças encontradas exemplificam a maestria dos ourives visigodos. O tesouro é formado por coroas, cruzes e vários objetos. As coroas e as cruzes, feitas em ouro e decoradas em padrões simétricos com esmaltação cloisonné, possuem gemas lapidadas em cabochon: safiras, granadas, pérolas, madrepérolas, ametistas rosa, calcedônias, quartzos brancos, esmeraldas e também contas de vidro.
As jóias demonstram o sofisticado estilo que confirma as relações de comércio dos visigodos com os bizantinos. As correntes de ouro que sustentam coroas e cruzes sugerem que eram usadas em rituais religiosos e também podiam ter sido oferendas votivas de reis visigodos, nobres e bispos.
Infelizmente, grande parte das jóias de Guarrazar foi vendida e derretida e em 1921, a coroa do rei Suintila foi roubada em Madrid. Ainda assim, o tesouro atualmente inclui a coroa votiva do rei Recceswinth, que reinou de 652 a 672, dez coroas menores, nove cruzes, 16 pendentes, correntes e partes de objetos variados e está distribuído por três museus europeus: o Museu Arqueológico Nacional e o Museu do Palácio Real, ambos em Madrid, Espanha e o Museu Nacional da Idade Média (Musée de Cluny), em Paris, França.
Não existe nenhuma documentação que precise a data do tesouro de Guarrazar. Entretanto, a razão mais provável para os objetos preciosos terem sido guardados nas tumbas pode ter sido a chegada dos mouros (árabes) à Península Ibérica no início do século VIII. Em 711, o rei visigodo Roderick (710-711) foi vencido em batalha na região de Guadalete. Dois anos depois, uma enorme parte da Península estava submissa ao Islã e passava agora a se chamar Al-Andaluz.
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