1 de nov. de 2012
Uma Monumental e Misteriosa Caixa de Joias: A Sala de Âmbar
5 de mai. de 2008
A Coleção Campana
| Fotos Erich Lessing Museu do Louvre Giovanni Pietro Campana (1808-1880), nascido em uma família nobre de Áquila, Itália, começou cedo a colecionar objetos antigos, adicionando-os aos que havia herdado de seu pai e de seu avô. Bronzes, pinturas, antigas estátuas, moedas e medalhões faziam parte da sua coleção desde o início. Em 1831, Campana passou a fazer parte da instituição ligada ao Vaticano chamada Monte di Pietá, e dois anos depois tornou-se seu diretor. Administrador, colecionador, negociante de antiguidades e arqueólogo, empreendeu inúmeras escavações em Roma e em regiões próximas a esta. Com as peças encontradas nos sítios arqueológicos (em terras próprias ou em terras de pessoas a ele relacionadas), montou uma vasta coleção particular, apreciada em toda a Europa. A coleção estava distribuída por vários locais em Roma, na sua villa em Laterano, na Monte di Pietá, em armazéns e guardada por colegas negociantes de antiguidades. Foi Giovanni Pietro Campana quem incentivou, em meados do século XIX, o interesse pelas jóias antigas, até então um pouco negligenciadas pela predileção pelas esculturas, bronzes, cerâmicas e pinturas encontradas em escavações arqueológicas. Em 1851, Campana casou-se com a inglesa Emily Rowles, cuja família tinha conexões com o príncipe Luís Napoleão, logo Napoleão III da França. Na sua principal residência em Roma, o palácio Campana perto da Piazza del Poppolo abrigava o melhor da sua vasta coleção, ao ponto desta ser mencionada por especialistas da época como superior à coleção do Museu Gregoriano do Vaticano. Num dramático e estranho reverso da Roda da Fortuna, Giovanni Pietro foi preso em 1857, acusado de apropriação indébita de bens públicos, processado pelo Vaticano e condenado a 20 anos de prisão, comutados depois em exílio pelo papa, graças às interferências de vários amigos influentes. Sua coleção foi seqüestrada pelo Vaticano e várias partes dela foram parar em museus como o Hermitage de São Petersburgo, o Victoria and Albert de Londres e o Metropolitan de Nova York. Após a reunificação da Itália, Campana retornou a Roma. Morreu em 1880, após tentar sem sucesso que o Vaticano o reembolsasse pela venda das peças da sua coleção. A parte da Coleção Campana que diz respeito às jóias antigas foi comprada quase completa pelo governo francês em 1861, e consiste na sua quase totalidade por peças etruscas, gregas e romanas. A Coleção Campana encontra-se no museu do Louvre, em Paris, e forma a maior parte das peças em ouro do Departamento de Antiguidades Gregas, Etruscas e Romanas do museu parisiense. |
| |
24 de mar. de 2008
Os Ovos de Páscoa Fabergé
A tradição dos ovos de Páscoa na Rússia é antiga, data do século X. De início, a Páscoa russa era celebrada com cerimônias que vinham dos tempos pagãos, adaptadas ao Cristianismo. Como a Páscoa no Ocidente coincide com a chegada da Primavera, estação que significa florescimento, renovação, ovos cozidos eram pintados em diferentes cores desde tempos imemoriais e, com o passar do tempo, surgiram os tradicionais ovos de madeira pintados, até hoje uma tradição na Páscoa russa.
O primeiro ovo de Páscoa, comissionado pelo czar Alexandre III ao joalheiro Peter Carl Fabergé, foi feito em 1885. O sucesso do presente dado à czarina Maria Feodorovna foi tão grande que por ordem do czar, o joalheiro passou a criar, todos os anos por ocasião da Páscoa, um ovo diferente, todos maravilhosamente decorados em ouro, prata, diversas gemas (rubis, diamantes, esmeraldas, safiras, ônix, jade, topázio, alexandrita), laca e esmaltes, para a czarina e também para a mãe do czar, a imperatriz viúva Alexandra Feodorovna. Ao todo, o czar Alexandre III comissionou 54 ovos a Maison Fabergé. O czar Nicolau II, tragicamente assassinado junto com sua esposa e filhos em 17 de julho de 1918 pelos russos bolcheviques, comissionou à Maison Fabergé 19 ovos.
A série dos ovos imperiais de Páscoa foi o mais ambicioso projeto comissionado à Fabergé. As condições para a confecção das jóias em forma de ovo foram a forma, a originalidade e a não repetição. A originalidade foi, em geral, inspirada em algum evento da família imperial: casamentos, nascimentos, aniversários, inaugurações. Alguns ovos possuem o monograma imperial e/ou datas, e muitos exibem fotos em esmalte de membros da família imperial. Fabergé levou extremamente a sério a comissão imperial, geralmente projetando ovos com anos de antecedência. Era sempre um segredo a aparência do próximo ovo, e sua entrega era solene, sempre causando deliciosa surpresa em quem a recebia.
Os dois primeiros ovos, cada um inspirado na galinha, foram desenhados e confeccionados sob estreita supervisão. Nos ovos dos anos seguintes, pode-se notar uma inspiração nos primeiros ovos, mas a partir da década de 90 do século XIX, o design dos ovos passou gradativamente a tornar-se cada vez mais audacioso. Os ovos “Carruagem para coroação” (1897), “Lírios do Vale” (1898), e “Palácio Gatchina” (1901), são alguns exemplos do design inovador da Maison. Apesar da audácia inovadora do design dos ovos de Páscoa, a série de ovos para a família imperial russa termina com ovos de design mais conservador, como o ovo “Ordem de São Jorge” (1915) e o ovo “Militar” (1916).
Quarenta e quatro ovos chegaram até nossos dias e cinco outros são conhecidos através de descrições e desenhos. Um dos dois semi-acabados ovos imperiais de 1917 também sobreviveu. Os ovos imperiais se espalharam pelo mundo através de vendas feitas pelos comissários soviéticos nas décadas de 20 e 30 do século passado. Dez dos ovos imperiais permanecem no Museu de Armaduras do Kremlin e onze faziam parte do acervo da Forbes, mas recentemente, no início do século atual, o bilionário russo Victor Vekselberg comprou onze ovos, cujo valor total foi de 90 milhões de dólares. A intenção é mostrá-los ao público, em museus russos. Treze ovos imperiais estão em museus norte-americanos e os dez remanescentes, em coleções particulares.
6 de fev. de 2008
O Tesouro de Guarrazar
Datadas do século VII, as jóias e peças encontradas exemplificam a maestria dos ourives visigodos. O tesouro é formado por coroas, cruzes e vários objetos. As coroas e as cruzes, feitas em ouro e decoradas em padrões simétricos com esmaltação cloisonné, possuem gemas lapidadas em cabochon: safiras, granadas, pérolas, madrepérolas, ametistas rosa, calcedônias, quartzos brancos, esmeraldas e também contas de vidro.
As jóias demonstram o sofisticado estilo que confirma as relações de comércio dos visigodos com os bizantinos. As correntes de ouro que sustentam coroas e cruzes sugerem que eram usadas em rituais religiosos e também podiam ter sido oferendas votivas de reis visigodos, nobres e bispos.
Infelizmente, grande parte das jóias de Guarrazar foi vendida e derretida e em 1921, a coroa do rei Suintila foi roubada em Madrid. Ainda assim, o tesouro atualmente inclui a coroa votiva do rei Recceswinth, que reinou de 652 a 672, dez coroas menores, nove cruzes, 16 pendentes, correntes e partes de objetos variados e está distribuído por três museus europeus: o Museu Arqueológico Nacional e o Museu do Palácio Real, ambos em Madrid, Espanha e o Museu Nacional da Idade Média (Musée de Cluny), em Paris, França.
Não existe nenhuma documentação que precise a data do tesouro de Guarrazar. Entretanto, a razão mais provável para os objetos preciosos terem sido guardados nas tumbas pode ter sido a chegada dos mouros (árabes) à Península Ibérica no início do século VIII. Em 711, o rei visigodo Roderick (710-711) foi vencido em batalha na região de Guadalete. Dois anos depois, uma enorme parte da Península estava submissa ao Islã e passava agora a se chamar Al-Andaluz.










