24 de ago de 2009

O Diadema de Madame Royale

Museu do Louvre

Alexandre-François Caminade, Museu do Louvre




Maria-Theresa Charlote da França nasceu em Versailles em 19 de dezembro de 1778. Primeira filha de Luís XVI e de sua rainha Maria Antonieta, recebeu no nascimento o título honorífico de Madame Royale, reservado às filhas dos reis franceses. Apesar de seu nascimento ter sido uma decepção para a Corte francesa esperançosa do nascimento de um Delfim ( príncipe herdeiro do trono da França), a pequena Maria-Theresa foi imediatamente adorada por sua mãe, que a apelidou de Mousseline.
Seus primeiros anos foram felizes, ao lado dos pais e dos irmãos mais novos, em Versailles. Mas no dia 05 de outubro de 1789, uma enorme multidão tomou conta do palácio e exigiu a mudança do rei e de sua família para Paris, onde foram instalados no palácio das Tulherias, e uma vida inteiramente inesperada começou para a pequena princesa. A tentativa de fuga interceptada na cidade de Varennes tornou ainda mais dramática a vida da família real que, buscando refúgio no prédio da Assembéia Legislativa de Paris, acabou presa na torre do antigo palácio medieval do Templo. Em 21 de janeiro de 1793 seu pai, outrora Luís XVI da França, foi guilhotinado como Luís Capeto e, em 16 de outubro do mesmo ano, morria também guilhotinada Maria Antonieta. Deixada aos cuidados de Madame Elizabeth, sua tia paterna, também logo a perdeu, quando esta foi executada em 10 de maio de 1794. Não restava mais ninguém da sua família direta, já que os dois irmãos mais novos morreram muito pequenos e o Delfim Luís Carlos, nomeado Luís XVII após a morte de seu pai, foi retirado pela guarda do exército revolucionário, desaparecendo pouco depois do julgamento da mãe, Maria Antonieta. Todos os tios e parentes mais próximos que puderam, já haviam fugido da França há algum tempo.
Em 18 de dezembro de 1795, Maria-Theresa foi finalmente libertada da prisão na torre do Templo, seguindo para a Viena natal de sua mãe. Depois de Viena, foi encontrar-se com seu tio paterno em Jelgava,Letônia, hóspede do czar Paulo I. Como não possuia filhos, o auto-proclamado Luís XVIII persuadiu a sobrinha a casar-se com o primo Luís Antônio d’Artois, duque de Angoulême e filho mais velho do futuro rei francês Carlos X, irmão mais novo de Luís XVIII. A família mudou-se para a Inglaterra, de onde só saiu para voltar à França, após a abdicação de Napoleão I em 1814. Agora verdadeiramente Luís XVIII, o irmão mais novo de Luís XVI pouco reinou, porque logo Napoleão retornou à França, em março de 1815. O rei fugiu, mas Maria-Theresa permaneceu na França, em Bordeaux, correndo sério risco de ser aprisionada pelas tropas napoleônicas. Por não ter fugido, Napoleão I referiu-se a ela como sendo “o único homem da família”.
Após a derrota de Napoleão I na Batalha de Waterloo em 18 de junho de 1815, a Casa de Bourbon é restaurada e Luís XVIII volta do exílio. Com a morte deste em 16 de setembro de 1824, seu irmão mais novo o conde d’Artois assume o trono francês como Carlos X e Maria-Theresa, casada com o agora novo Delfim, torna-se Delfina da França. Após muitas reviravoltas políticas, durante as quais foi rainha da França por exatos 20 minutos, Maria-Theresa terminou seus dias em paz na Áustria, morrendo de pneumonia em 19 de outubro de 1851, três dias antes do 58º aniversário da execução de sua mãe, Maria Antonieta.
Com a ascenção ao trono em 1814, Luís XVIII teve a sua disposição as jóias da Coroa francesa, instituição criada por Francisco I em 1530 - e bastante desfalcada durante o período da Revolução - e as levou com ele para o exílio, quando Napoleão retornou à França. Quando do seu retorno em 1815, encomendou aos ourives reais Paul-Nicolas Menière e Evrard Bapst que desmontassem todas as parures da última esposa de Napoleão I, Maria Luísa, e criassem peças mais de acordo com a moda então vigente para serem dadas à Maria-Theresa. Assim, o magnífico diadema em ouro e prata e contendo 1.031 diamantes e quarenta esmeraldas foi criado pelos ourives, bem como outras peças de imensa beleza.
Em 1887, o Estado francês vendeu todas as jóias remanescentes da Coroa, evento sem precedentes, e as jóias foram dispersadas pelo mundo. O diadema, durante anos na Inglaterra após sua venda, foi comprado pelo Museu do Louvre em 2002, estando desde então em exposição pública.

Um comentário:

Mariana disse...
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