8 de nov de 2009

O Tesouro de Ziwiye

Foto Metropolitan Museum NYC


Composto de jóias e objetos em ouro, prata e marfim, esse tesouro cita foi descoberto em 1947 no território iraniano às margens do lago Urmia, atualmente habitado pelos curdos, a mais numerosa etnia sem Estado do mundo.

Os objetos do tesouro fazem arqueologicamente a ponte entre as tribos habitantes desta região e as que remanesceram nas estepes da Ásia central, já que o design das jóias encontradas e também dos outros objetos são antropomórficos, expressão artística preferida pelos citas. Apesar disso, no tesouro encontram-se objetos representantes de quatro culturas: assíria, cita, grega e a das tribos que habitavam a região do atual Irã. Datado provavelmente de 700 aC, o tesouro evidencia esta região iraniana como ponto de cruzamento de várias rotas comerciais que promoveram o início da formação da arte iraniana, notadamente a Rota da Seda.

Espalhado por coleções privadas e em museus, o tesouro foi encontrado por um jovem pastor de ovelhas em uma montanha perto da pequena vila de Ziwyie. O tesouro parece ter sido enterrado nas muralhas de uma antiga cidadela, cujas raras ruínas remanescentes ainda podem ser vistas. Construídas com grandes tijolos as muralhas possuíam, em certos trechos, 7,50 metros de espessura. O edifício principal da cidadela era, ao que parece aos arqueólogos, um palácio erigido com tijolos e colunas de madeira e decorado com azulejos nas cores azul, amarelo e branco à semelhança dos antigos palácios de Susa e Nínive, a antiga capital assíria.

Algumas jóias sugerem, pelo seu design, uma “egiptização” das artes naquela região, mas que muito provávelmente não foi diretamente influenciada pelo Egito, porém por produtos vendidos por mercadores fenícios e sírios que passaram pelas rotas de comércio existentes na região: o colar peitoral de ouro em forma de crescente, dividido em duas partes, cada uma com a representação de uma árvore( semelhante a uma palmeira) no meio e ladeadas por touros e leões alados, esfinges e grifos é um exemplo desta arte influenciada por diferentes culturas.

O magnífico bracelete com figuras de pequenos leões no meio da peça e com cabeças de leões adultos nas extremidades, uma das quais podia ser removida para acomodação da peça ao braço, lembra as esculturas hititas em pedra encontradas do sudoeste da Anatólia ( atual Turquia) com a diferença de que, no bracelete, os planos ascendentes terminados em linhas angulares do design da peça caracterizam a posição dos animais centrais e o próprio formato da mesma. Tais linhas determinando planos polidos atraíam os antigos usuários da jóia, assim como ainda hoje, no Museu Metropolitano de Nova York. Este tipo de técnica em ourivesaria, que procura tirar o máximo do brilho do metal em contato com a luz, era há quase 3.000 anos atrás uma técnica nova, que provavelmente derivou do trabalho em osso ou madeira.

24 de ago de 2009

O Diadema de Madame Royale

Museu do Louvre

Alexandre-François Caminade, Museu do Louvre




Maria-Theresa Charlote da França nasceu em Versailles em 19 de dezembro de 1778. Primeira filha de Luís XVI e de sua rainha Maria Antonieta, recebeu no nascimento o título honorífico de Madame Royale, reservado às filhas dos reis franceses. Apesar de seu nascimento ter sido uma decepção para a Corte francesa esperançosa do nascimento de um Delfim ( príncipe herdeiro do trono da França), a pequena Maria-Theresa foi imediatamente adorada por sua mãe, que a apelidou de Mousseline.
Seus primeiros anos foram felizes, ao lado dos pais e dos irmãos mais novos, em Versailles. Mas no dia 05 de outubro de 1789, uma enorme multidão tomou conta do palácio e exigiu a mudança do rei e de sua família para Paris, onde foram instalados no palácio das Tulherias, e uma vida inteiramente inesperada começou para a pequena princesa. A tentativa de fuga interceptada na cidade de Varennes tornou ainda mais dramática a vida da família real que, buscando refúgio no prédio da Assembéia Legislativa de Paris, acabou presa na torre do antigo palácio medieval do Templo. Em 21 de janeiro de 1793 seu pai, outrora Luís XVI da França, foi guilhotinado como Luís Capeto e, em 16 de outubro do mesmo ano, morria também guilhotinada Maria Antonieta. Deixada aos cuidados de Madame Elizabeth, sua tia paterna, também logo a perdeu, quando esta foi executada em 10 de maio de 1794. Não restava mais ninguém da sua família direta, já que os dois irmãos mais novos morreram muito pequenos e o Delfim Luís Carlos, nomeado Luís XVII após a morte de seu pai, foi retirado pela guarda do exército revolucionário, desaparecendo pouco depois do julgamento da mãe, Maria Antonieta. Todos os tios e parentes mais próximos que puderam, já haviam fugido da França há algum tempo.
Em 18 de dezembro de 1795, Maria-Theresa foi finalmente libertada da prisão na torre do Templo, seguindo para a Viena natal de sua mãe. Depois de Viena, foi encontrar-se com seu tio paterno em Jelgava,Letônia, hóspede do czar Paulo I. Como não possuia filhos, o auto-proclamado Luís XVIII persuadiu a sobrinha a casar-se com o primo Luís Antônio d’Artois, duque de Angoulême e filho mais velho do futuro rei francês Carlos X, irmão mais novo de Luís XVIII. A família mudou-se para a Inglaterra, de onde só saiu para voltar à França, após a abdicação de Napoleão I em 1814. Agora verdadeiramente Luís XVIII, o irmão mais novo de Luís XVI pouco reinou, porque logo Napoleão retornou à França, em março de 1815. O rei fugiu, mas Maria-Theresa permaneceu na França, em Bordeaux, correndo sério risco de ser aprisionada pelas tropas napoleônicas. Por não ter fugido, Napoleão I referiu-se a ela como sendo “o único homem da família”.
Após a derrota de Napoleão I na Batalha de Waterloo em 18 de junho de 1815, a Casa de Bourbon é restaurada e Luís XVIII volta do exílio. Com a morte deste em 16 de setembro de 1824, seu irmão mais novo o conde d’Artois assume o trono francês como Carlos X e Maria-Theresa, casada com o agora novo Delfim, torna-se Delfina da França. Após muitas reviravoltas políticas, durante as quais foi rainha da França por exatos 20 minutos, Maria-Theresa terminou seus dias em paz na Áustria, morrendo de pneumonia em 19 de outubro de 1851, três dias antes do 58º aniversário da execução de sua mãe, Maria Antonieta.
Com a ascenção ao trono em 1814, Luís XVIII teve a sua disposição as jóias da Coroa francesa, instituição criada por Francisco I em 1530 - e bastante desfalcada durante o período da Revolução - e as levou com ele para o exílio, quando Napoleão retornou à França. Quando do seu retorno em 1815, encomendou aos ourives reais Paul-Nicolas Menière e Evrard Bapst que desmontassem todas as parures da última esposa de Napoleão I, Maria Luísa, e criassem peças mais de acordo com a moda então vigente para serem dadas à Maria-Theresa. Assim, o magnífico diadema em ouro e prata e contendo 1.031 diamantes e quarenta esmeraldas foi criado pelos ourives, bem como outras peças de imensa beleza.
Em 1887, o Estado francês vendeu todas as jóias remanescentes da Coroa, evento sem precedentes, e as jóias foram dispersadas pelo mundo. O diadema, durante anos na Inglaterra após sua venda, foi comprado pelo Museu do Louvre em 2002, estando desde então em exposição pública.

5 de ago de 2009

JEWELRY OF THE MIDDLE AGES


Munich Treasury

ABOUT THE 12TH CENTURY REVERBERATED STILL THE BYZANTINE JEWELRY DESIGN: A COMBINATION OF MONUMENTAL FORMS WITH RICHLY AND INTRINCATED DECORATION IN FILIGREE ARABESCS, PRECIOUS GEMSTONES (SAPPHIRES, RUBIES, EMERALDS, DIAMONDS, TOURQUOISES, TOPAZS AND PEARLS) AND ENAMELS.


THE MEDIEVAL JEWELS WERE MADE MAINLY BY GOLDSMITHS AS THE PROFESSION OF A JEWELRY DESIGNER ONLY APPEARED BY THE END OF THE 14TH CENTURY WITH PAINTERS THAT WERE COMISSIONED BY KINGS AND POPES.

PRECIOUS GEMSTONES AND PEARLS WERE POLISHED INTO IRREGULAR BUT SMOOTH BEADS. A HOLE WAS DRILLED TO ENABLE THEM TO BE SECURED IN THE PIECE USING A SMALL GOLD WIRE. THIS TECHNIQUE ALLOWED TO CREAT A VERY SECURE SET MORE DURABLE THAN THE STRAIGHT-SIDED COLLETS USED BEFORE.

GEMSTONES COULD EITHER BE COLORED OR RECEIVED A THIN METAL LAYER ON THEIR BACKSIDE TO ENHACE THEIR COLOUR. SOMETIMES THESE PRACTICALS TURNED INTO FRAUDE AND LAWS WERE THEN CREATED IN MANY EUROPEAN COUNTRIES TRYING TO PREVENT IT. IT`S NECESSARY TO SAY THAT THESE LAWS ONLY CONCERNED, BASICALLY, TO GEMSTONES AND NOT TO THE PURENESS OR THE QUALITY OF PRECIOUS METALS LIKE GOLD AND SILVER. AS IN ANTIQUITY AND ALSO IN THE DARK AGES, GOLD HAS REMAINED THE MOST PRESTIGIOUS METAL DURING ALL THE MEDIEVAL PERIOD.

THE GOLDSMITHS OF PARIS HAD THE REPUTATION OF MAKING THE FINEST AND FASHIONABLE JEWELS IN EUROPE AND COLOGNE, NUREMBERG AND VENICE WERE IMPORTANT JEWELRY TRADE CITIES.

THE MAIN DECORATIVE TECHNIQUE FOR JEWELRY IN THE MEDIEVAL PERIOD WAS THE ENAMEL: CLOISONNÉ, CHAMPLEVÉ, TRANSLUCENT, BASSE- TAILLE AND EN RONDE BOSSE. ANOTHER TWO DECORATIVE TECHNIQUES USED BY MEDIEVAL GOLDSMITHS WERE THE CAMEO AND THE INTAGLIO, BOTH ROMAN LEGACIES.

WITH THE GOTIC INFLUENCE STYLE APPEARING AT THE END OF 13TH CENTURY, THE DENSITY OF DECORATION HAS THINNED, GIVING WAY TO THE BEAUTIFUL SIMPLICITY OF GOTHIC STYLE TYPICAL ORNAMENTS. THE GOTHIC STYLE STARTED IN PARIS AND SOON WAS ADOPTED IN WHOLE EUROPE. AN ELEGANT, ANGULAR AND GRACEFUL DESIGN TOOK PLACE IN JEWELRY DESIGN INSTEAD OF THE HEAVY AND ROUND ROMANIC JEWELLERY.

ONE OF THE VERY INTEREST CONSEQUENCES OF THE NEW STYLE WAS THAT EARRINGS AND BRACELETS DISAPPEARED AS ELEMENTS OF JEWELRY EXCEPT IN THE SOUTH OF ITALY DUE TO THE STRONG BYZANTINE INFLUENCE STILL DOMINANT AND IN THE MOOR SPAIN WHERE IT REMAINNED FASHIONABLE UNTIL THE END OF THE MIDDLE AGES.

THE MEDIEVAL ERA BROUGHT THE CROWN TO THE NOBILITY HEADS. LIGHTER AND LESS SOLEMN WERE THE CORONAL AND THE CIRCLET. THE WOMEN’S HAIR WAS ADORNED BY TRESSOIRS (RICH RIBBONS FINELY DECORATED IN GOLD AND PRECIOUS GEMSTONES).


THE HEAVY NECKLACES FROM THE BEGINNING OF MEDIEVAL TIMES WERE REPLACED BY LIGHT GOLD CHAINS SUSTAINING PENDANTS. THE NECKLACE WAS WORN NEAR THE NECKLINE OR SUSTAINED ON THE SHOLDERS AND WAS WORN ALSO BY MEN, VERY FREQUENTLY WITH A JEWELLED PENDANT REPRESENTING A PRESTIGIOUS CHEVALRY ORDER.

THE BROOCH WAS THE MOST IMPORTANT PIECE OF JEWELRY WORE IN THE MIDDLE AGES: THE RICHEST PIECE COULD BE ALSO ADORNED WITH A CAMEO.

THE NOBILITY AND THE RICH BOURGEOISIE WORE ALSO LONG GIRDLES WITH FINE DECORATED BUCKLES, SHOE CLASPS AND THEIR CLOACKS COULD BE ADORNED WITH JEWELS TOO.
RINGS WERE WORN ON EVERY FINGER AND ENGRAVED GEMS COULD BE SET AS SIGNET RINGS.
THE BRACELETS CAME BACK INTO VIEW CIRCA 1390 WORE AS LOVE TOKENS. AT 14TH CENTURY, NEW FASHIONS FROM PARIS APPEARED IN JEWELRY: THE RONDE BOSSE ENAMEL TECHNIQUE INTRODUCED NATURALISTIC (ANIMALS, BIRDS, FLOWERS AND TREES) AND ROMANTIC MOTIVES (DEPICT LADIES, COURTLY LOVE AND LILIES) APPLIED SPECIALLY ON BROOCHS.

BY THE BEGUINNING OF THE 15TH CENTURY WITH THE GEMSTONE CUT DEVELOPMENT, THE JEWELS WERE HIGHLY ORNAMENTED WITH GEMSTONES IN A SIMPLE METAL SET. THE FAVORITE SET FOR A SINGLE GEMSTONE WAS THE ENAMELED ROSE.

THE MEDIEVAL JEWELRY, WITH ITS IRREGULAR CUT GEMSTONES, MAYBE IS THE MOST POETIC EVER MADE: COULD SUGGEST THE MYSTERIES OF HEAVEN, THE LOVE GARDEN DELICACIES, THE CHEVALRY PRESTIGIOUS AND THE HEART NOBILITY.

14 de jul de 2009

As Jóias no Vestuário Renascentista Italiano

La Belle Nani, Veronese
Museu do Louvre



Durante o Renascimento ( séculos XV e XVI), que na Itália começou mais cedo em fins do século XIV, gemas como as pérolas e os diamantes eram muito apreciadas tanto na composição de jóias como para adorno de roupas, cabelos, chapéus e até mesmo, calçados.
Com a conquista das Américas foram descobertas novas jazidas de pérolas, principalmente na América Central, que passaram a abastecer a Europa, importadora até então das pérolas da Índia, Ceilão ( atual Sri-Lanka) e do Golfo Pérsico. As principais jazidas de diamantes ainda eram na Índia.
Acompanhante obrigatória das toilettes da nobreza e da alta burguesia, as pérolas eram tão abundantes na decoração de vestimentas suntuosas que na Europa inteira vários éditos, chamados éditos suntuários, tentaram normatizar- dentre outros aspectos abrangidos- sem sucesso, o uso demasiado das gemas no vestuário tanto feminino quanto masculino, assim como o luxo demasiado das cortes. Em várias ocasiões, a toilette de uma dama nobre ou da alta burguesia era composta por jóias usadas junto com vestidos luxuosamente decorados com pérolas, diamantes, rubis, esmeraldas, safiras e ouro, como podemos verificar no quadro de Paolo Caliari, dito Veronese (1528-88), intitulado “A Bela Nani” e pintado por volta de 1560.
No retrato da bela dama veneziana, seus cabelos estão entrelaçados com pérolas, colar de uma só volta também de pérolas sem nenhum detalhe de outra gema ou metal à mostra, três anéis (um deles, possívelmente, uma aliança) nos dedos de ambas as mãos e um bracelete em cada pulso, cujo design emoldura diamantes (o diamante era retratado à época na cor escura, já que a lapidação conhecida e utilizada para esta gema refletia muito pouco a luz) e rubis.
Já no vestido composto principalmente por tecidos como veludo, seda brocada e rendas, podemos notar luxuosos componentes decorativos representantes da arte da joalheria renascentista italiana: uma corrente de ouro dupla presa por broches em ouro com diamantes no corpete; dois grandes broches em ouro, pérolas e diamantes adornam os ombros e mantém preso o véu que compõe o traje; e uma grande máscara feminina de estilo greco-romano e com design característico do período ( encontrado também em outras jóias, assim como em elementos decorativos arquitetônicos e de mobiliário), decorada com diamantes e rubis e tendo como pendente uma grande pérola, arrematando um collier ceinture em ouro e diamantes.

19 de mai de 2009

Joalheria Art Déco

Cartier



A Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas de 1925 em Paris estabeleceu um novo estilo para o Modernismo, que tinha nas formas geométricas e abstratas a expressão maior do design do movimento.

A Primeira Guerra Mundial interrompeu a criação joalheira e quando o conflito acabou, uma das consequências do mesmo foi uma completa alteração nos valores, tradições e costumes. A moda também sofreu uma enorme mudança, acarretada também pela mudança do papel da mulher na sociedade ocidental, mudança esta impulsionada pela necessidade das mulheres terem ocupado o lugar dos homens no trabalho durante a guerra. Começavam os chamados “loucos anos 1920”.
Os vestidos fluidos, de cintura baixa e sem mangas próprios da moda do período pós-guerra eram perfeitos para as jóias Art Déco, geométricas, lineares e com um contraste de cores nunca visto antes. Devido ao consumo desenfreado, fruto da emancipação feminina e também do alívio trazido pela paz conseguida no Tratado de Versalhes, as vendas de jóias alcançaram patamares recordes.

O bracelete pode ser considerado a jóia mais usada do período Art Déco e foram confeccionados em inúmeros designs diferentes, geralmente decorados com diamantes em lapidações carré , rubis naturais e sintéticos e safiras.
A gema mais popular do período foi o diamante. Rubis, safiras, ônix, Esmeraldas, corais, marfins, jades, madrepérolas e cristais-de-quartzo foram também muito utilizados na decoração das jóias Art Déco e, frequentemente, serviam de moldura ao diamante. Para esta gema predileta, as lapidações geométricas eram as favoritas: baguete, triangular e esmeralda. O grande aumento da produção de pérolas cultivadas fez com que a pérola passasse a ser uma gema mais acessível à classe média e faziam parte dos trajes de noite, em colares usados ao pescoço ou torcidos à volta da cintura. O metal mais utilizado foi a platina, além do ouro branco e da prata. Os vestidos de noite, com alças finas e costas nuas ficavam perfeitos com longos colares de pérolas e sautoirs. Os broches eram desenhados para serem usados aos pares, nos vestidos e usou-se muito também o broche em cintos, lapelas de casacos, bolsas, sapatos e chapéus.
Os motivos na joalheria Art Déco eram caracterizados por designs geométricos, diversas combinações de cores criando contrastes e padrões abstratos. Em 1922, a descoberta da tumba do faraó Tutancâmon serviu de inspiração para o período, assim como o Cubismo, as artes persa, africanas e orientais, além do Jugendstil.
A queda da Bolsa de Nova York em 1929, seguida da Grande Depressão, pôs fim aos “loucos anos 1920” e ao delicado e geométrico design Art Déco.


14 de abr de 2009

A Simbologia na Joalheria Egípcia

Foto J.Bodsworth


Foto Museu Metropolitano de Nova York


A ornamentação das jóias egípcias era grandemente composta por símbolos que possuíam nomes e continham significados, sendo esta uma forma de expressão muito estreitamente ligada à simbologia dos hieróglifos. O escaravelho, o nó de Ísis, a flor de lótus, o olho de Horus ou udjat, a cruz ansata ou ankh, o falcão, a serpente e a esfinge são todos motivos decorativos carregados de simbologia religiosa.

O trabalho dos ourives egípcios era dominado pelo uso de amuletos. Apesar do repertório limitado de motivos decorativos, a criatividade, o domínio de técnicas de ourivesaria, o uso de cores fortes e a repetição de formas e desenhos mostram a maestria dos ourives, que confeccionavam jóias contendo mais do que um simples efeito decorativo: os motivos possuíam significados religiosos ou mágicos.

O motivo ou símbolo decorativo mais comum era o escaravelho, que significava ao mesmo tempo o sol e a criação. A cruz ansata, ou ankh, foi um dos mais importantes símbolos da cultura egípcia. Possívelmente surgido na Quinta Dinastia (2.498-2.345 aC), o ankh consistia em um hieróglifo representando a regeneração e a vida eterna e a idéia expressa em sua simbologia era a da força da vida reinando sobre a superfície da matéria inerte. O olho udjat (olho do deus Horus) protegia contra a inveja e as flores de lótus simbolizavam ressurreição. Os motivos decorativos na joalheria egípcia também incluíam figuras de deidades variadas, hieróglifos e nós.

O enorme simbolismo das jóias antigas egípcias também se refletia no uso de determinadas cores. De acordo com o Livro dos Mortos, sabemos que o azul-escuro representava o céu quando noite, o verde a ressurreição e a renovação, e o vermelho o sangue, a energia e a vida.



9 de mar de 2009

O Tesouro Maikop






Fotos BCE



O Tesouro de Maikop é a maior coleção arqueológica mundial na região que compreende a costa norte do Mar Negro e o nordeste do Cáucaso. Mais de 2.000 peças, que abrangem um período de mais de 4.500 anos ajudam a compreender a história das tribos nômades desta parte do mundo. A grande maioria das peças data circa 3500 aC , apesar de existirem outras peças mais antigas. As peças mais novas do tesouro datam do século XIV.

Cronologicamente, a Cultura Maikop, da qual a coleção conhecida como Tesouro de Maikop é considerada sua melhor representante em termos arqueológicos, pode ser dividida da seguinte forma:

1.Período Cita ( 6000-4000 AC)

2.Idade do Bronze (3000- 2.000 AC)

3. Período Sármata (séculos II – IV )

4. Idade Média ( séculos VII- XIV)

O tesouro atualmente se encontra no Museu Nacional e no Museu da Pré-História, ambos em Berlim, Alemanha e nos EUA, no Museu Penn da Universidade da Pensilvânia e no Museu Metropolitano de Nova York.

A descoberta do tesouro se deve a M.A.Merle de Massoneau, fundador do Banco do Oriente em Paris e que antes trabalhou durante quase duas décadas como diretor das vinícolas imperiais russas do czar Nicolau II na Criméia e na região do Cáucaso. Ao longo deste tempo, de Massoneau reuniu uma enorme e incrível coleção.

Mais de cem anos atrás de Massoneau começou a sua coleção a qual somente na década de 30 do século passado encontrou seus donos permanentes nos museus já citados, tornando-os os maiores possuidores de antiguidades da Europa Oriental fora da Rússia.

Infelizmente, porém, vários objetos que permaneceram em solo russo sofreram danos ou simplesmente desapareceram durante a II Guerra Mundial, notadamente os itens encontrados nas tumbas reais citas de Aleksan-dropol, Chmurev e Mordvinovskii e que estavam guardados no Museu de História de Kharkov e no Museu Nacional de História em Kiev, ambos na Ucrânia,. Também objetos guardados no Museu Nacional de Berlim foram roubados, quebrados ou sofreram com o fogo, durante o bombardeio da cidade pelos Aliados ocorrido em 1944.

2 de fev de 2009

O Tesouro de Nimrud



Fotos Noreen Feeney, Iraq Museum International


O tesouro, que possui mais de 2.800 de história( datando entre os séculos VIII e XIV aC), foi encontrado em tumbas perto do antigo harém do palácio assírio da antiga cidade de Kalhu, mais tarde chamada Nimrud, às margens do rio Tigre, norte do Iraque. O sítio arqueológico encontra-se perto da atual cidade iraquiana de Mossul e é, praticamente, o único tesouro assírio jamais encontrado com peças intactas, já que a quase totalidade das jóias assírias foi derretida ou roubada ao longo dos séculos.

Antes do tesouro ser encontrado, a única maneira de se ter uma idéia de como seria a joalheria assíria era através das representações em relevo encontradas em antigas edificações assírias. O tesouro consiste de 613 peças em ouro e prata dentre as quais estão coroas, elmos, diademas, brincos, colares, amuletos, anéis, além de vasilhames feitos em cristal-de-rocha finamente lapidados, e outros feitos em ouro.
Várias jóias ainda possuem as gemas empregadas na sua decoração.

O tesouro, descoberto em 1988 pelo arqueologista iraquiano Muzahim Mahmud e sua equipe, demorou dois anos para ser totalmente desvendado e faz parte do sítio arqueológico de Nínive, que contém 750 hectares e é considerado o maior do Oriente. O sítio arqueológico foi escavado a primeira vez em 1845 pelo arqueólogo britânico Henry Austen Layard, trabalho que durou até 1851 e revelou ao mundo esculturas (algumas colossais), baixos relevos e diversos objetos e esculturas em mármore. Vários objetos e esculturas foram levados para o Museu Britânico de Londres, onde estão até hoje.

Dentre as tumbas encontradas por Mahmud e sua equipe está a de Lullissu, rainha de Assurbanipal II, constructor do palácio. Em uma outra tumba, também de uma rainha, está a inscrição que ameaça a quem profanar as tumbas: "que seu espírito vague sedento". Em somente uma das tumbas foram encontrados aproximadamente 22,50 quilos de ouro e prata em peças diversas.

Anos trás, quando o governante de então do Iraque Saddam Hussein invadiu o vizinho Kuwait em agosto de 1990, teve como resposta quase imediata o envolvimento dos Estados Unidos da América no conflito. O tesouro foi então escondido no mais secreto e seguro cofre nos porões do Banco Central iraquiano, mas durante o conflito foi inundado devido ao rompimento de canos de esgoto causado pela destruição de parte do prédio do banco feita por um míssil norte-americano.

Em 2003 o Iraque foi invadido e ocupado pelo exército dos EUA. Dizem especialistas que milhares de objetos foram roubados durante o processo de ocupação, e estão até hoje desaparecidos. Era grande a preocupação sobre o paradeiro do tesouro mas, pouco tempo depois do estabelecimento das forças de ocupação americanas no Iraque, arqueólogos iraquianos e funcionários do Museu de Bagdá, assistidos por representantes da revista National Geographic e por membros do governo e do exército dos EUA, retiraram dois milhões de litros de água do cofre e encontraram as peças do tesouro dentro de várias caixas de metal fechadas com cadeados. A água infiltrou-se em algumas caixas, mas nada que tenha deteriorado efetivamente o conteúdo das mesmas.

Ao serem abertas, revelaram as magníficas peças do tesouro da realeza assíria. Retiradas, as peças foram devidamente limpas e voltaram a integrar o acervo em exposição do Museu de Bagdá, pertencente ao povo iraquiano.

O tesouro de Nimrud é comparado em esplendor ao do faraó Tutankamon.