8 de nov de 2009

O Tesouro de Ziwiye

Foto Metropolitan Museum NYC


Composto de jóias e objetos em ouro, prata e marfim, esse tesouro cita foi descoberto em 1947 no território iraniano às margens do lago Urmia, atualmente habitado pelos curdos, a mais numerosa etnia sem Estado do mundo.

Os objetos do tesouro fazem arqueologicamente a ponte entre as tribos habitantes desta região e as que remanesceram nas estepes da Ásia central, já que o design das jóias encontradas e também dos outros objetos são antropomórficos, expressão artística preferida pelos citas. Apesar disso, no tesouro encontram-se objetos representantes de quatro culturas: assíria, cita, grega e a das tribos que habitavam a região do atual Irã. Datado provavelmente de 700 aC, o tesouro evidencia esta região iraniana como ponto de cruzamento de várias rotas comerciais que promoveram o início da formação da arte iraniana, notadamente a Rota da Seda.

Espalhado por coleções privadas e em museus, o tesouro foi encontrado por um jovem pastor de ovelhas em uma montanha perto da pequena vila de Ziwyie. O tesouro parece ter sido enterrado nas muralhas de uma antiga cidadela, cujas raras ruínas remanescentes ainda podem ser vistas. Construídas com grandes tijolos as muralhas possuíam, em certos trechos, 7,50 metros de espessura. O edifício principal da cidadela era, ao que parece aos arqueólogos, um palácio erigido com tijolos e colunas de madeira e decorado com azulejos nas cores azul, amarelo e branco à semelhança dos antigos palácios de Susa e Nínive, a antiga capital assíria.

Algumas jóias sugerem, pelo seu design, uma “egiptização” das artes naquela região, mas que muito provávelmente não foi diretamente influenciada pelo Egito, porém por produtos vendidos por mercadores fenícios e sírios que passaram pelas rotas de comércio existentes na região: o colar peitoral de ouro em forma de crescente, dividido em duas partes, cada uma com a representação de uma árvore( semelhante a uma palmeira) no meio e ladeadas por touros e leões alados, esfinges e grifos é um exemplo desta arte influenciada por diferentes culturas.

O magnífico bracelete com figuras de pequenos leões no meio da peça e com cabeças de leões adultos nas extremidades, uma das quais podia ser removida para acomodação da peça ao braço, lembra as esculturas hititas em pedra encontradas do sudoeste da Anatólia ( atual Turquia) com a diferença de que, no bracelete, os planos ascendentes terminados em linhas angulares do design da peça caracterizam a posição dos animais centrais e o próprio formato da mesma. Tais linhas determinando planos polidos atraíam os antigos usuários da jóia, assim como ainda hoje, no Museu Metropolitano de Nova York. Este tipo de técnica em ourivesaria, que procura tirar o máximo do brilho do metal em contato com a luz, era há quase 3.000 anos atrás uma técnica nova, que provavelmente derivou do trabalho em osso ou madeira.

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