24 de abr de 2008

A Chegada da Corte Portuguesa e a Joalheria no Brasil

Colar e Insígnia da Torre e Espada
Palácio Nacional da Ajuda


O complexo século XIX, em termos de joalheria, iniciou-se com as grandiosas jóias criadas para a corte do Imperador Napoleão I e que serviram de padrão para toda a Europa e Américas até a Batalha de Waterloo em 1815: os conjuntos de jóias chamados parures, compostos de tiaras, brincos, gargantilhas ou colares, e braceletes fantasticamente adornados com gemas como o diamante, a esmeralda, a safira, o rubi e a pérola, cujo esplendor sobressaía mais do que o próprio design das peças.

A tentativa da França em dominar toda a Europa encontrou resistência na Inglaterra. Portugal, clamando neutralidade, continuou a honrar os acordos comerciais com a Inglaterra e, como conseqüência, França e Espanha concordaram em dividir Portugal, acordo este firmado pelo Tratado de Fontainebleau em 1807. Com a ameaça iminente da invasão de Portugal por tropas francesas, a rainha portuguesa D.Maria I e seu filho D.João, mais tarde D.João VI de Portugal,decidem assim transferir a sede da monarquia portuguesa para o Brasil, onde chegaram com toda a sua Corte e vários artistas e artífices – incluindo renomados ourives - à cidade do Rio de Janeiro, já há tempos sede da Colônia, em janeiro de 1808.

Na foto acima, podemos notar o maravilhoso trabalho realizado no Rio de Janeiro pelo ourives português António Gomes da Silva para o então príncipe João. O colar e a insígnia foram confeccionados em 1813 em ouro e prata, e decorados com diamantes, rubis, esmeraldas e esmaltes, sendo que apenas os rubis não são gemas produzidas pelo Brasil. Ao contrário das outras insígnias pertencentes à Casa Real Portuguesa, esta não prima pelo gosto na distribuição das gemas, de considerável dimensões, mas sim pela montagem exímia de grande rigor técnico.

A sede da monarquia portuguesa no Brasil durou até 1821 quando o já então rei D.João VI, forçado por pressões políticas a retornar a Portugal, deixou o príncipe D.Pedro, seu filho, como príncipe-regente. O estabelecimento de uma administração real pelo período de 14 anos mudou substancialmente a economia, através da chegada de europeus de várias nacionalidades, do fluxo de mercadorias manufaturadas estrangeiras e do começo da industrialização no Brasil, além de uma mudança significativa nos costumes das famílias brasileiras: anteriormente praticamente reclusas ao lar, as mulheres passaram a freqüentar ruas, praças e teatros. Para não fazer feio diante das damas da Corte portuguesa, as senhoras brasileiras, além de freqüentar lojas de modas e cabeleireiros, solicitavam como nunca antes os serviços dos ourives, que adaptavam o design francês que continuava em moda, ao design mais rebuscado do estilo Barroco português.

Mas o movimento pela emancipação do Brasil começou a tomar uma proporção maior depois do retorno de D. João VI a Portugal e isto também se refletiu na confecção das jóias da então Colônia, que passaram paulatinamente a adquirir características próprias: o Romantismo – com sua volta aos designs da Antiguidade e da Idade Média - em alta na Europa, influenciou intelectuais e artistas brasileiros, que se preocuparam em mostrar em suas obras e criações as características especiais – ressaltando temas como a flora, a fauna e o indígena - de uma Nação que se iniciava, distinta de todas as outras.

Jean-Baptiste Debret

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