5 de mai de 2008

A Coleção Campana


Fotos Erich Lessing

Museu do Louvre



Giovanni Pietro Campana (1808-1880), nascido em uma família nobre de Áquila, Itália, começou cedo a colecionar objetos antigos, adicionando-os aos que havia herdado de seu pai e de seu avô. Bronzes, pinturas, antigas estátuas, moedas e medalhões faziam parte da sua coleção desde o início. Em 1831, Campana passou a fazer parte da instituição ligada ao Vaticano chamada Monte di Pietá, e dois anos depois tornou-se seu diretor.

Administrador, colecionador, negociante de antiguidades e arqueólogo, empreendeu inúmeras escavações em Roma e em regiões próximas a esta. Com as peças encontradas nos sítios arqueológicos (em terras próprias ou em terras de pessoas a ele relacionadas), montou uma vasta coleção particular, apreciada em toda a Europa. A coleção estava distribuída por vários locais em Roma, na sua villa em Laterano, na Monte di Pietá, em armazéns e guardada por colegas negociantes de antiguidades. Foi Giovanni Pietro Campana quem incentivou, em meados do século XIX, o interesse pelas jóias antigas, até então um pouco negligenciadas pela predileção pelas esculturas, bronzes, cerâmicas e pinturas encontradas em escavações arqueológicas.

Em 1851, Campana casou-se com a inglesa Emily Rowles, cuja família tinha conexões com o príncipe Luís Napoleão, logo Napoleão III da França. Na sua principal residência em Roma, o palácio Campana perto da Piazza del Poppolo abrigava o melhor da sua vasta coleção, ao ponto desta ser mencionada por especialistas da época como superior à coleção do Museu Gregoriano do Vaticano. Num dramático e estranho reverso da Roda da Fortuna, Giovanni Pietro foi preso em 1857, acusado de apropriação indébita de bens públicos, processado pelo Vaticano e condenado a 20 anos de prisão, comutados depois em exílio pelo papa, graças às interferências de vários amigos influentes.

Sua coleção foi seqüestrada pelo Vaticano e várias partes dela foram parar em museus como o Hermitage de São Petersburgo, o Victoria and Albert de Londres e o Metropolitan de Nova York. Após a reunificação da Itália, Campana retornou a Roma. Morreu em 1880, após tentar sem sucesso que o Vaticano o reembolsasse pela venda das peças da sua coleção.

A parte da Coleção Campana que diz respeito às jóias antigas foi comprada quase completa pelo governo francês em 1861, e consiste na sua quase totalidade por peças etruscas, gregas e romanas. A Coleção Campana encontra-se no museu do Louvre, em Paris, e forma a maior parte das peças em ouro do Departamento de Antiguidades Gregas, Etruscas e Romanas do museu parisiense.



2 comentários:

Anônimo disse...

belissimas peças :)

Rosangela Campana disse...

Puxa, quanta coisa maravilhosa devia fazer parte desta coleção...